O comércio entre o Brasil e o Sudeste Asiático está prestes a atingir novos patamares, segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Durante uma reunião em Brasília com Kao Kim Hourn, secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), Vieira destacou que as transações comerciais com essa região podem, em breve, superar os negócios com os Estados Unidos e a União Europeia. Essa perspectiva surge em um momento em que o Brasil busca diversificar suas exportações em resposta ao recente aumento de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
Crescimento das relações comerciais
Nos últimos anos, o comércio entre o Brasil e os países da Asean, composta por 11 nações incluindo Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã, cresceu exponencialmente. Mauro Vieira ressaltou que, de 2003 a 2025, as transações comerciais aumentaram de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões. Esse crescimento notável indica que, mantendo esse ritmo, o intercâmbio comercial com o Sudeste Asiático deve ultrapassar as tradicionais parcerias brasileiras com os EUA e a UE.
Interesse em diversificação econômica
O contexto atual, marcado pela imposição de tarifas pelos Estados Unidos, tem levado o Brasil a buscar novas parcerias comerciais. Vieira expressou o desejo do país de se tornar um ‘parceiro de diálogo’ da Asean, um status atualmente reservado a potências como EUA, União Europeia, Japão e China. Essa estratégia visa não apenas expandir os mercados para produtos brasileiros, mas também fortalecer laços com o Sul Global, promovendo desenvolvimento sustentável e ampliando os fluxos de comércio e investimentos.
Visita diplomática e possíveis parcerias
A visita de Kao Kim Hourn ao Brasil, a convite do governo, inclui reuniões com ministros, empresários e acadêmicos. Durante o encontro no Itamaraty, Hourn reforçou a importância da parceria com o Brasil, destacando o potencial para colaborações nas áreas de inovação, segurança alimentar, energias renováveis e ação climática. Ele sublinhou o compromisso compartilhado entre a Asean e o Brasil com o multilateralismo e a cooperação internacional, fundamentais para enfrentar desafios comuns.
Impacto econômico e social
A potencial expansão das relações comerciais com o Sudeste Asiático não é apenas uma oportunidade econômica, mas também um movimento estratégico para o Brasil em termos de política externa. Os países da Asean, que juntos possuem um PIB que dobrou na última década e uma população de mais de 700 milhões, representam um mercado em crescimento contínuo. Essa parceria pode alavancar a posição do Brasil no cenário global, oferecendo um contrapeso às tradicionais influências econômicas dos EUA e da UE.
