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O futuro do etanol de milho no Brasil: desafios e oportunidades

— Foto: Globo Rural

O crescente avanço do etanol de milho no Brasil tem gerado debates acalorados no setor sucroenergético, tradicionalmente dominado pela produção de etanol de cana-de-açúcar. O país, que em 2015 produzia apenas 0,14 bilhões de litros de etanol de milho, deve alcançar 9 bilhões de litros em 2025, representando mais de 25% da oferta nacional do biocombustível.

Transformações no mercado de etanol

O impacto dessa transformação é sentido por produtores de cana, que observam o novo cenário com certa apreensão. A lógica de oferta e demanda é implacável: mais oferta pode significar pressão sobre os preços. Contudo, o crescimento do etanol de milho não deve ser visto como uma ameaça, mas como uma oportunidade de colaboração para expandir o mercado de biocombustíveis no Brasil.

Consumo interno: desafios e mitos

Apesar da predominância de veículos flex fuel, que representam cerca de 75% da frota leve no Brasil, apenas 35% dos consumidores optam por etanol. As dificuldades logísticas e o custo fora das áreas tradicionais de produção são obstáculos, mas muitos consumidores ainda baseiam suas escolhas em percepções desatualizadas sobre o etanol. Tecnologicamente, os problemas que marcaram o início do uso do biocombustível nas décadas de 80 e 90, como a corrosão do motor e dificuldades de partida a frio, foram superados.

Expansão global do etanol

No cenário internacional, o Brasil se destaca com uma alta taxa de mistura de etanol na gasolina, em torno de 30%. Em contrapartida, apenas 15 países no mundo praticam essa mistura, e com percentuais significativamente mais baixos, entre 5% e 10%. A exportação de etanol ainda é tímida, representando apenas 5% da produção nacional, sugerindo um potencial inexplorado de mercado externo.

Novos horizontes para o etanol

Além do mercado automotivo, o etanol pode encontrar novas utilidades, inclusive dentro do setor agrícola. Embora já existam pesquisas e lançamentos de motores agrícolas movidos a etanol, a utilização ainda é incipiente, considerando os mais de 50 anos desde o início do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Ampliar o uso do etanol na própria cadeia produtiva pode representar um novo capítulo de inovação e sustentabilidade.

O avanço do etanol de milho no Brasil não deve ser encarado como uma disputa interna, mas como um estímulo para buscar novas demandas e expandir o mercado. Ao invés de focar na origem da oferta, a discussão deve se voltar para onde a demanda surgirá e como ela pode ser ampliada, beneficiando todo o setor sucroenergético.

João Rosa Botão, diretor do Pecege Consultoria e Projetos, destaca que as ideias e opiniões expressas neste artigo são de sua responsabilidade exclusiva, não representando necessariamente o posicionamento editorial do Notícia do Tocantins.

Fonte: https://globorural.globo.com

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