A utilização de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, que imitam a ação de hormônios intestinais como GLP-1 e GIP, revolucionou o tratamento da obesidade, permitindo uma rápida perda de peso. No entanto, esse avanço trouxe novos desafios, como garantir uma ingestão adequada de nutrientes e a preservação da massa muscular a longo prazo. Com o intuito de abordar essas preocupações, três entidades europeias renomadas publicaram o primeiro consenso médico global sobre a rotina alimentar para usuários dessas terapias. O documento foi divulgado na prestigiosa revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology.
A importância de uma alimentação balanceada
O consenso, assinado pela Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (EASO), a Federação Europeia das Associações de Nutricionistas (EFAD) e a Coalizão Europeia de Pessoas que Vivem com Obesidade (ECPO), destaca que a redução do apetite induzida por esses medicamentos pode levar a riscos nutricionais e funcionais. Em resposta, o documento fornece diretrizes sobre como mitigar esses riscos por meio de uma dieta equilibrada.
Recomendações nutricionais específicas
O consenso europeu enfatiza a importância de ingerir quantidades adequadas de proteínas, fibras e líquidos diariamente. Detalha ainda a ingestão de micronutrientes, carboidratos e calorias, contrariando a ideia de que comer menos é sempre melhor. A quantidade ideal de calorias deve ser adaptada individualmente, mas manter uma ingestão inferior a 800 kcal por dia pode exigir ajustes na dose da medicação ou até mesmo sua interrupção.
Proteínas como prioridade
Durante o emagrecimento, o objetivo é consumir de 1 a 1,5 gramas de proteína por quilo de peso corporal diariamente, enquanto na fase de manutenção essa quantidade pode ser reduzida para 0,8 a 1 grama. A nutricionista Luna Azevedo, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, explica que a baixa ingestão de proteínas pode levar à perda de força e redução da taxa metabólica, por isso sua ingestão deve ser priorizada, especialmente quando combinada com exercícios de força.
A escolha dos carboidratos
Contrariando algumas crenças, o consenso não recomenda cortar carboidratos, mas sim escolher suas fontes de maneira mais criteriosa. Carboidratos complexos e ricos em fibras são preferidos, pois são digeridos mais lentamente, evitando picos de glicose no sangue. Luna Azevedo ressalta que o foco deve estar em fornecer todos os nutrientes necessários ao organismo, mesmo com um volume alimentar reduzido.
Repercussões e desdobramentos futuros
A publicação deste consenso é um marco importante para a comunidade médica e para os pacientes que utilizam essas terapias. Ele oferece uma base para o desenvolvimento de diretrizes nacionais e locais, adaptando-se às necessidades específicas de cada população. Além disso, espera-se que o documento incentive mais pesquisas sobre os efeitos de longo prazo dessas medicações, promovendo um tratamento mais seguro e eficaz para a obesidade.
Fonte: https://saude.abril.com.br











