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Impactos do acordo Mercosul-UE no agronegócio brasileiro

Globo Rural

O aguardado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que começa a vigorar provisoriamente nesta sexta-feira (1º/5), promete revolucionar os mercados ao criar um espaço econômico com potencial de atingir cerca de 700 milhões de consumidores. Com um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de aproximadamente US$ 22 trilhões, o tratado traz expectativas variadas para o agronegócio brasileiro, que vê oportunidades e desafios à frente.

Oportunidades e desafios para o agronegócio

A redução gradual de tarifas entre os dois blocos é um dos aspectos mais celebrados pelo setor agropecuário brasileiro. A expectativa é que essa mudança favoreça as exportações, ampliando a competitividade dos produtos nacionais no mercado europeu. Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), destaca o potencial transformador do acordo, que oferece um ‘leque de oportunidades para o aumento das exportações’, mas alerta para os desafios associados à maior concorrência com produtos europeus de baixo custo.

Impacto tarifário e setores beneficiados

O acordo prevê que a União Europeia eliminará tarifas para cerca de 93% dos produtos do Mercosul em até dez anos, enquanto o Mercosul fará o mesmo para aproximadamente 91% dos produtos europeus em até 15 anos. De imediato, cerca de 54% das exportações do bloco sul-americano passam a ter tarifa zero. Segmentos como couro, uvas e mel, identificados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), apresentam grande potencial de crescimento. Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil, enfatiza que ‘a eliminação de tarifas de 3% ou 7% pode ser decisiva para a viabilidade de negócios’.

Contexto histórico e expectativas futuras

O acordo entre Mercosul e União Europeia é resultado de mais de duas décadas de negociações, marcando um dos momentos mais significativos para as relações comerciais entre os blocos. Historicamente, o Mercosul buscava maior integração com mercados externos para diversificar suas exportações e reduzir a dependência de poucos parceiros. Com este tratado, espera-se que o agronegócio brasileiro não apenas se fortaleça, mas também se modernize para enfrentar a competição europeia.

Repercussão e desdobramentos

A repercussão do acordo tem sido vasta, tanto em setores econômicos quanto políticos. Nas redes sociais, opiniões se dividem entre o otimismo pela abertura de novos mercados e a preocupação com a proteção de indústrias locais. Especialistas veem o tratado como um passo crucial para o fortalecimento das relações internacionais do Brasil, mas alertam para a necessidade de políticas que garantam competitividade ao produto nacional. Os próximos anos serão decisivos para avaliar os verdadeiros impactos dessa parceria histórica.

Fonte: https://globorural.globo.com

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