O Brasil está desenvolvendo uma nova estratégia para melhorar a prevenção de doenças e a capacidade de diagnóstico no país. O plano, denominado saúde única, foi apresentado pelo Ministério da Saúde e busca integrar laboratórios e tecnologias para identificar ameaças à população de forma mais ágil.
A proposta inclui 99 ações estratégicas, organizadas em 18 diretrizes e sete eixos, com um planejamento que se estende até 2040. Entre os principais objetivos estão a prevenção de epidemias, o controle de doenças transmitidas por animais e a segurança alimentar.
Fortalecimento da vigilância
Uma das mudanças propostas é a aproximação de instituições que atualmente operam em áreas distintas de vigilância, facilitando o compartilhamento de informações e fortalecendo a capacidade de resposta a riscos que envolvem seres humanos, animais e o meio ambiente.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destaca que, embora a estratégia tenha sido apresentada em outubro, sua formalização depende ainda de um decreto presidencial. A meta é conectar redes laboratoriais e plataformas tecnológicas para melhorar diagnósticos e agilizar exames.
Desafios e focos estratégicos
O enfrentamento da resistência aos antimicrobianos é um dos desafios abordados, exigindo vigilância e medidas coordenadas entre setores. Além disso, a estratégia engloba as zoonoses, doenças transmitidas entre animais e seres humanos, enfatizando que o acompanhamento desses riscos deve ser mais abrangente do que apenas nos serviços de saúde humana.
O plano também contempla a segurança alimentar e ambiental, além de incentivar a participação social, visando tratar ameaças sanitárias de maneira integrada.
Construção e próximos passos
A articulação para o planejamento até 2040 começou em abril de 2024, com a criação do Comitê Técnico Interinstitucional de Uma Só Saúde, responsável por formular e implementar a estratégia nacional. A construção do documento envolveu mais de 80 instituições e recebeu mais de 560 contribuições durante a consulta pública realizada em 2025, segundo a Fiocruz.
O Dia Mundial e Nacional da Saúde Única, celebrado em 3 de novembro, sublinha a importância da integração entre saúde humana, animal e ambiental, conforme instituído pela Lei nº 14.792/2024. O próximo passo é a formalização e implementação das ações, cujo cronograma ainda não foi confirmado.
