O setor de máquinas agrícolas no Brasil enfrenta um cenário desafiador. Em abril de 2026, a receita líquida das vendas de máquinas e implementos agrícolas caiu 22,2% em relação ao mesmo mês de 2025, totalizando R$ 4,21 bilhões, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). No acumulado do ano, a retração chega a 17,9%, com um faturamento de R$ 17,07 bilhões.
Exportações em alta, mas com desafios
Apesar da queda nas vendas internas, as exportações de máquinas agrícolas mostraram um desempenho positivo. Em abril de 2026, o valor das exportações atingiu US$ 160,1 milhões, o que representa um aumento de 18,8% em relação a abril do ano anterior. No período de janeiro a abril, as exportações somaram US$ 583 milhões, registrando um crescimento de 20,1% comparado ao mesmo período de 2025.
Importações e vendas internas em declínio
As importações de máquinas e implementos agrícolas também apresentaram uma tendência de queda. Em abril, as importações totalizaram US$ 106,76 milhões, o que representa uma diminuição de 19,3% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, houve uma retração de 9,6%, com importações somando US$ 390,95 milhões.
Internamente, as vendas de tratores e colheitadeiras refletem o cenário adverso. Em abril, foram vendidos 3.639 tratores, uma queda de 4,2% em comparação com o ano anterior. Já as colheitadeiras sofreram uma redução mais drástica, com 176 unidades vendidas, o que significa uma queda de 33,6% em relação às 265 unidades comercializadas no mesmo período de 2025.
Impactos econômicos e fatores influentes
Pedro Estêvão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, apontou a desvalorização do dólar como um dos principais fatores que impactam negativamente o setor. Esta desvalorização influencia diretamente os preços internos, tornando os produtos menos competitivos no mercado nacional.
Além disso, Bastos destaca a influência dos juros elevados. Com a margem de lucro mais apertada, os agricultores preferem direcionar seus recursos para custeio imediato em vez de investir em novos equipamentos, optando por adiar tais investimentos. Outro fator de pressão é o conflito no Oriente Médio, que tem elevado os custos de diesel e fertilizantes, impactando ainda mais a rentabilidade dos produtores.
Perspectivas e possíveis desdobramentos
A inadimplência alta também impõe barreiras ao acesso ao crédito por parte dos agricultores. Bastos mencionou a renegociação de dívidas, atualmente em discussão no Senado, como uma possível medida de alívio para o setor. No entanto, ele antecipa que a previsão inicial de uma queda de 8% nas vendas para 2026 pode ser revista para um recuo ainda maior, dependendo dos resultados do próximo Plano Safra.
O cenário atual exige atenção dos produtores e da indústria, que esperam por medidas que possam revitalizar o setor. A expectativa é que políticas governamentais e o contexto econômico global possam trazer alguma estabilidade e fomentar o crescimento das vendas nos próximos meses.
Fonte: https://globorural.globo.com
