Ícone do site Notícia do Tocantins

Nem toda perda de memória é Alzheimer: conheça outros tipos de demência e suas implicações

Mais de 1,7 milhão de brasileiros vivem com demência, síndrome que impacta a cognição e dive...

Quando uma pessoa idosa começa a apresentar alterações cognitivas, é comum que familiares pensem imediatamente na doença de Alzheimer. Embora essa seja a causa mais frequente de demência, ela não é a única. Na realidade, demência não é uma doença específica, mas uma síndrome resultante de diferentes enfermidades que comprometem o funcionamento do cérebro. Algumas afetam principalmente a memória, enquanto outras começam alterando o comportamento, a linguagem, a personalidade, ou até provocando alucinações. Reconhecer essas diferenças é essencial, pois o diagnóstico correto influencia diretamente o tratamento, o acompanhamento e a orientação da família.

Tipos de demência além do Alzheimer

A demência por corpos de Lewy, por exemplo, pode se manifestar com alucinações visuais bem definidas, oscilações importantes da atenção ao longo do dia e sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, como rigidez e lentidão dos movimentos. Já a demência frontotemporal costuma aparecer mais cedo do que o Alzheimer e frequentemente inicia com mudanças marcantes de comportamento. Pessoas antes reservadas podem tornar-se impulsivas, perder a empatia, apresentar atitudes socialmente inadequadas ou desenvolver alterações importantes da linguagem.

Existe também a demência vascular, relacionada a lesões provocadas por pequenos ou grandes acidentes vasculares cerebrais. Nesses casos, controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e tabagismo faz parte do tratamento. Além disso, há condições que podem provocar alterações cognitivas e serem confundidas com demências neurodegenerativas, como a hidrocefalia de pressão normal (HPN). Esta é caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano no cérebro e costuma se manifestar pela combinação de alterações da marcha, comprometimento cognitivo e incontinência urinária.

Casos notórios e a importância do diagnóstico correto

Casos envolvendo figuras públicas ajudam a ilustrar como diferentes doenças podem estar por trás de quadros de demência. O cantor e compositor Chico Buarque tornou público seu diagnóstico de HPN, uma condição que pode responder ao tratamento, com possibilidade de melhora dos sintomas em pacientes adequadamente selecionados. O ator Bruce Willis e o jornalista Maurício Kubrusly foram diagnosticados com demência frontotemporal, que pode afetar de forma importante o comportamento e a linguagem. No caso do ator Robin Williams, a autópsia após sua morte revelou demência por corpos de Lewy, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem diagnóstico de Alzheimer.

Mais recentemente, o especialista em aviação e criador do canal Aviões e Músicas, Lito Sousa, recebeu o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, uma doença priônica rara e rapidamente progressiva que pode provocar declínio da memória, comprometimento de outras funções cognitivas e alterações motoras. No caso de Lito, a família informou que ele permanece lúcido, apesar do avanço dos comprometimentos físicos. Esses exemplos mostram por que a palavra ‘demência’ não deve ser usada como sinônimo de Alzheimer.

Impactos sociais e familiares

Identificar o tipo de demência vai muito além de dar um nome à doença. Alguns medicamentos utilizados na doença de Alzheimer podem beneficiar determinados pacientes, mas apresentam pouca eficácia em outras demências. Por outro lado, existem situações em que certos remédios podem agravar sintomas específicos, especialmente em pessoas com demência por corpos de Lewy, tornando ainda mais importante uma avaliação especializada. Além do tratamento medicamentoso, o diagnóstico correto permite orientar melhor os familiares sobre a evolução esperada, planejar adaptações na rotina e organizar os cuidados necessários.

Com o envelhecimento da população, a demência vem se tornando um problema de saúde pública cada vez mais relevante. A conscientização sobre os diferentes tipos de demência é crucial tanto para médicos quanto para a sociedade em geral, pois ajuda a desmistificar o tema e promove um cuidado mais humanizado e eficaz para as pessoas afetadas e seus familiares.

Fonte: https://saude.abril.com.br

Sair da versão mobile