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Arqueólogos descobrem cidades de 2.500 anos na Amazônia

Arqueólogos descobrem uma rede de ruas escavadas que se estendem por todo o assentamento e continuam fora da aglomeração para conectar outras cidades – Foto: Reprodução Revista Science.

Arqueólogos que trabalham nas profundezas da floresta amazônica descobriram uma extensa rede de cidades que remonta a 2.500 anos.

Os assentamentos pré-hispânicos altamente estruturados, com ruas largas e estradas longas e retas, praças e aglomerados de plataformas monumentais foram encontrados no Vale Upano, no Equador Amazônico, na parte oriental dos Andes, de acordo com um estudo publicado na revista Science, nesta quinta-feira (11), intitulado “Two thousand years of garden urbanism in the Upper Amazon“.

Sítio Kunguints, Vale Upano, Equador. Complexos de plataformas retangulares são dispostos em torno de praças baixas e distribuídos ao longo de largas ruas escavadas – Foto: Reprodução A. Dorison e S. Rostain.

Essa é a descoberta da maior e mais antiga rede urbana de características construídas e escavadas na Amazônia até agora, e foi o resultado de mais de duas décadas de investigações na região pela equipe da França, Alemanha, Equador e Porto Rico.

Brasil: Aldeia no Alto do Xingu

Na região de floresta do sul da Amazônia, no estado do Mato Grosso, aldeias circulares pré-hispânicas foram documentadas no Alto do Rio Xingu. Segundo o estudo, eles são semelhantes aos as aldeias modernas como Kuikuro, onde as malocas (grandes casas coletivas) estão dispostas em círculo.

Plataforma terrestre do núcleo do sítio Sangay, Vale Upano, Equador – Foto: Reprodução S. Rostain.

Foi registrada uma enorme praça central circular e os maiores sítios arqueológicos podem atingir até 50 hectares, delimitado por valas periféricas com 500 a mais de 2.000 m de comprimento. Essas valas são delimitadas por uma resistência interior elevada onde originalmente foi construída uma cerca de madeira.

As antigas praças medem 120 a 150 m de diâmetro e as estradas chegam a até 40 m de largura. Essas vias irradiam do espaço central em várias direções para se conectar a outros assentamentos ou locais que pode ter sido importante para o sustento dos habitantes, segundo os autores. Também foram documentados os principais centros rituais políticos, aldeias de médio porte assim como pequenas aldeias sem praça central. Os assentamentos eram separados por rios de até 10 km.

Sítio Copueno, Vale Upano, Equador. Uma rua principal escavada atravessa a área urbana, criando um eixo ao longo do qual complexos de plataformas retangulares são dispostos em torno de praças baixas – Foto: Reprodução A. Dorison e S. Rostain.

A pesquisa começou com trabalho de campo antes de implantar um método de sensoriamento remoto chamado detecção e alcance de luz, chamado de LiDAR, que usava luz laser para detectar estruturas abaixo das copas espessas das árvores.

O principal autor do estudo, Stéphen Rostain, arqueólogo e diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, descreveu a descoberta como “incrível”.

Stéphen Rostain atrás de um pote de cerâmica para cerveja de milho doce (chicha) durante a escavação arqueológica em grande escala em uma plataforma de terra no sítio Sangay, Vale Upano, Equador – Foto: Reprodução S. Rostain.

‘Engenharia avançada’

“O LiDAR deu-nos uma visão geral da região e pudemos apreciar muito o tamanho dos locais”, disse ele à CNN Internacional, nesta na sexta-feira (12), acrescentando que lhes mostrou uma “teia completa” de estradas escavadas. “O lidar foi a cereja do bolo.”

Rostain disse que as primeiras pessoas que viveram lá, há 3 mil anos, tinham casas pequenas e dispersas.

No entanto, entre aproximadamente 500 a.C. e 300 a 600 d.C., as culturas Kilamope e mais tarde Upano começaram a construir montes e a colocar as suas casas em plataformas de terra, segundo os autores do estudo. Essas plataformas seriam organizadas em torno de uma praça baixa e quadrada.

Os dados do LiDAR revelaram mais de 6.000 plataformas na metade sul da área pesquisada de 600 km².

As plataformas eram em sua maioria retangulares, embora algumas fossem circulares, e mediam cerca de 20 por 10 metros, conforme o estudo. Eles eram normalmente construídos em torno de uma praça em grupos de três ou seis. As praças também costumavam ter uma plataforma central.

A equipe também descobriu complexos monumentais com plataformas muito maiores, que, segundo eles, provavelmente tinham função cívica ou cerimonial.

Escavação arqueológica em grande escala em uma plataforma terrestre do sítio Kilamope, Vale Upano, Equador – Foto: Reprodução S. Rostain.

 

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