O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve discutir nesta semana o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel. Essa reunião, inicialmente prevista para a semana passada, foi reagendada para quinta-feira, 19. O tema ganha destaque em meio a uma conjuntura internacional instável, onde a escalada dos conflitos no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo e gera incertezas sobre o custo e a oferta de diesel, especialmente em um momento crucial para a agricultura brasileira, com a colheita de soja e o plantio das culturas de inverno em curso.
Contexto e importância do tema
A discussão sobre o aumento da mistura de biodiesel no diesel ocorre em um cenário de crescente demanda por soluções energéticas sustentáveis. A Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) já delineia um caminho para a ampliação gradual da participação do biodiesel, refletindo o compromisso do Brasil com a transição energética e a sustentabilidade. A legislação prevê que a proporção de biodiesel no diesel atinja 20% (B20) até 2030, com incrementos anuais de um ponto percentual.
Capacidade industrial e desafios
Representantes do setor produtivo afirmam que a indústria está pronta para acomodar misturas mais elevadas imediatamente. De acordo com a AliançaBiodiesel, que reúne a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), a infraestrutura atual permitiria uma mistura de até 21,6% de biodiesel. Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio, enfatiza que o setor está preparado para esse avanço, mas destaca a necessidade de o governo acelerar o cronograma de implementação, uma vez que o país deveria estar em B16 desde março deste ano.
Pressões e expectativas do setor
A busca por previsibilidade no cronograma de implementação é uma das principais demandas do setor. Mais de 40 entidades do agronegócio e da indústria publicaram recentemente uma carta aberta ao governo federal, solicitando a adoção do B17 em vez do B16. Além disso, há uma defesa enfática pela realização de testes técnicos que possam viabilizar a adoção de misturas ainda maiores no futuro. Nesse sentido, Goergen destaca a disposição das empresas em apoiar financeiramente esses testes, buscando contribuir para uma transição mais ágil e segura.
Impactos e desdobramentos esperados
O aumento da mistura de biodiesel no diesel tem o potencial de impactar positivamente diversos setores, desde a agricultura até a indústria de combustíveis. Além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, a medida pode estimular a economia local ao ampliar a demanda por culturas agrícolas utilizadas na produção de biodiesel, como a soja. Isso, por sua vez, pode gerar mais empregos e promover o desenvolvimento regional. No entanto, para que esses benefícios sejam concretizados, é fundamental que o governo e a indústria trabalhem em conjunto para superar desafios logísticos e técnicos.
Perspectivas futuras
Com o governo iniciando estudos técnicos para avaliar a viabilidade do B25 até 2027, as expectativas são de que o Brasil continue a liderar esforços na promoção de biocombustíveis. Essa iniciativa não apenas alinha o país com as tendências globais de sustentabilidade, mas também fortalece sua posição no mercado internacional de energia limpa. Observadores do setor esperam que as discussões no CNPE tragam resultados concretos e um cronograma claro, que permita avanços contínuos na adoção do biodiesel.
Fonte: https://agro.estadao.com.br












