Biofertilizante produzido por tocantinense potencializa desempenho de diversas culturas

Uma tecnologia, aliada à condição de campo, apresenta custo-benefício nutricional para várias culturas agronômicas, em especial o milho de sequeiro.

A inovação chama-se biofertilizante, um produto que potencializa o desempenho, o crescimento saudável, a rentabilidade e a alta produtividade mesmo em condições climáticas desfavoráveis. A tecnologia está sendo usada em um plantio experimental no Tocantins, sob acompanhamento científico, que proporciona um diferencial em todos os aspectos, favorecendo um investimento sustentável.

O uso do sistema tecnológico para desenvolvimento do estudo conta com o apoio do Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt).

O estudo científico é coordenado pelo engenheiro agrônomo, Doutor em Biologia Molecular e Mestrado em Entomologia Agrícola, Raimundo Wagner de Souza Andrade, professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), câmpus Gurupi, e está sendo desenvolvido em conjunto com outros pesquisadores e acadêmicos do segmento.

O cientista é pioneiro em pesquisas científicas no Tocantins, principalmente aquelas que trazem benefícios à saúde humana. O pesquisador também faz parte do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS) apoiado pelos Governos Federal e do Tocantins por meio da Fapt.

O pesquisador está usando o biofertilizante em uma lavoura experimental de milho, situada no município de Santa Rosa do Tocantins, distante 150 km da capital Palmas. Além disso, ele garante que o produto pode ser usado em qualquer cultura, como a da banana que já tem resultados concretos e bem-sucedidos no Estado da Bahia. Desta forma, revela-se que o biofertilizante pode ser uma alternativa com custo baixo à agricultura familiar do Tocantins, além de trazer um diferencial aos plantios.

Entenda

O milho safrinha é definido como milho de sequeiro, devido à produtividade ser menor do que a safra, por causa das desvantagens climáticas como estiagem acompanhada de calor e baixa umidade em determinadas estações. Tais condições permitem a limitação do rendimento dos grãos pela ocorrência de deficiências hídricas nos estágios avançados de desenvolvimento da cultura, o que inviabiliza a absorção de nutrientes. Devido a esses fatores, os pesquisadores da UFT desenvolveram o biofertilizante a base de micro-organismos procariotos, capazes de fixar, no solo, o nitrogênio atmosférico e disponibilizá-lo para as plantas.

“A inovação trata-se de RPCP [Rizobactérias promotoras do crescimento de plantas] oriundas do solo, que promovem melhoramentos e benefícios ambientais na rizosfera [região do solo influenciada pelas raízes], o que resulta em aumento dos pelos e das raízes laterais, crescimento da área total da superfície radicular, que favorece absorção de mais nutrientes ao milho por exemplo”, ressalta Raimundo Wagner.

O cientista explica ainda que a solução ecológica está situada no Laboratório de Biologia Molecular da UFT câmpus Gurupi, onde possui um banco de cepas de bactérias e fungos com diversas utilidades e qualidades, como fazer o nitrogênio atmosférico, e produzir reguladores de crescimento das plantas, dissolvendo fosfato que age como antagonistas do patógeno que afeta o metabolismo do nitrogênio. No espaço científico, tem um biorreator com capacidade para 1.300 litros para produção da substância. O equipamento possui controle para três rotações, temperatura e pH, com suplementação de ar, e produtividade de 10 mil litros mensais.

Desafios

O objetivo do pesquisador é firmar parcerias público-privadas, a fim de beneficiar de forma sustentável os agricultores familiares do Estado, com baixo custo para incentivar o cultivo de diversas culturas e inclusive do milho safrinha em diversas regiões do Tocantins. O que pode trazer um diferencial na qualidade do produto, fortalecimento da economia e do empreendedorismo, além da geração de emprego em plena crise de pandemia. A aplicabilidade da inovação possibilita uma produção e o faturamento diferenciado em um período ocioso do ano.

Para o presidente da Fapt, Márcio Silveira, essa inovação pode transformar a vida do agricultor pelo custo-benefício.

“Isso é fruto do investimento da Fapt em ciência, tecnologia e inovação, mas para que isso se torne uma política pública, a parceria é fundamental entre os órgãos que trabalham a agricultura do Estado, seja municipal, estadual ou federal. Desta forma, o pesquisador e a universidade se colocam à disposição para possíveis parcerias para beneficiar o agricultor e consequentemente o consumidor”, explica o gestor.

 

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