Em um avanço significativo para a medicina, um homem na Austrália, portador de uma doença genética que afeta progressivamente a visão, conseguiu ler uma palavra durante um teste experimental. O feito foi possível graças a um chip desenvolvido pela Science Corporation, que visa recuperar a visão de pacientes com doenças hereditárias da retina. Esse avanço inicial representa uma esperança para aqueles que sofrem com a perda visual causada por condições como a doença de Stargardt.
O impacto da doença de Stargardt
A doença de Stargardt é uma condição genética que afeta a visão central, dificultando atividades cotidianas como leitura e reconhecimento de rostos. Atualmente, não há cura capaz de reverter a perda visual permanente causada por essa doença. Este contexto torna o sucesso inicial do chip PRIMA ainda mais significativo, pois oferece uma nova perspectiva para pacientes que enfrentam os desafios impostos por essa condição.
Como funciona o chip PRIMA
O chip PRIMA é um implante minúsculo, com apenas 2 milímetros, posicionado sob a retina. Sua função é substituir parcialmente as células da retina que pararam de captar luz devido à doença. O sistema é complementado por óculos especiais, equipados com uma câmera que captura imagens, processadas por um computador portátil. Essas imagens são então transmitidas por luz infravermelha para o implante, que as converte em estímulos elétricos enviados às células remanescentes da retina.
Resultados promissores, mas ainda limitados
Durante o teste realizado no Sydney Eye Hospital, após a implantação do PRIMA em maio de 2026, o paciente conseguiu identificar uma letra na primeira sessão de reabilitação e, posteriormente, ler uma palavra. Embora o avanço seja promissor, o procedimento ainda é considerado experimental para a doença de Stargardt. A capacidade de leitura observada até o momento não significa que o paciente tenha recuperado a visão natural ou seja capaz de ler textos completos.
Pesquisas e próximos passos
A cirurgia faz parte do estudo clínico PRIMAlia, conduzido na Austrália para avaliar a segurança e eficácia do dispositivo em pessoas com doenças hereditárias da retina. O Save Sight Institute, da Universidade de Sydney, e o Sydney Eye Hospital estão envolvidos na pesquisa. Além da doença de Stargardt, o sistema também foi testado em pacientes com degeneração macular relacionada à idade, outra condição que compromete a visão.
Expectativas para o futuro
O principal desafio da pesquisa é verificar se a capacidade de leitura observada pode ser sustentada ao longo do tempo e reproduzida em outros pacientes. Até agora, os resultados referentes à doença de Stargardt se baseiam em um único caso e ainda não constituem uma evidência clínica definitiva. No entanto, para aqueles que convivem com a perda progressiva da visão, essa experiência representa um avanço inicial, embora limitado ao ambiente de reabilitação.
A possibilidade de ampliar o uso do chip PRIMA dependerá de resultados futuros que confirmem sua segurança, durabilidade e benefício visual. Caso essa tecnologia se prove eficaz em um número maior de pacientes, poderá abrir novas perspectivas de tratamento para muitas pessoas que vivem com a perda visual devido a doenças genéticas.











