O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo importante na ampliação das opções de tratamento para pacientes com problemas oculares, ao incorporar técnicas que permitem tratar glaucoma e catarata em uma mesma cirurgia. A iniciativa, anunciada pelo Ministério da Saúde, visa a otimização dos procedimentos cirúrgicos, beneficiando especialmente aqueles que se enquadram nos critérios clínicos específicos.
Inovação no tratamento ocular
A nova abordagem permite que, durante a cirurgia de catarata, os médicos realizem intervenções para melhorar a drenagem do líquido intraocular, controlando assim a pressão dentro do olho. Essa pressão é um dos principais fatores que contribuem para a progressão do glaucoma, uma condição que pode levar à perda de visão se não for tratada adequadamente.
Segundo o Ministério da Saúde, as técnicas incorporadas são menos invasivas comparadas aos métodos tradicionais, oferecendo uma recuperação mais rápida e um menor risco de complicações. Além disso, o controle da pressão ocular pode ser significativamente aprimorado, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Economia e eficiência no SUS
A incorporação das novas técnicas também promete uma economia substancial para o sistema público de saúde. A goniotomia excisional, uma das técnicas aprovadas, prevê uma redução de R$ 22,4 milhões nos gastos no primeiro ano e de R$ 276 milhões em cinco anos, substituindo o uso do iStent. Essa economia é crucial para a sustentabilidade do SUS, permitindo que mais pacientes sejam atendidos com o mesmo orçamento.
Detalhes das técnicas incorporadas
O SUS aprovou duas técnicas para serem realizadas junto à cirurgia de catarata: a goniotomia excisional e a trabeculotomia transluminal. A goniotomia excisional remove parte do tecido que impede a saída do líquido do olho, enquanto a trabeculotomia transluminal utiliza um cateter ou fio cirúrgico para acessar o canal de drenagem do olho, facilitando a passagem do líquido. Ambas as técnicas visam controlar a pressão intraocular, permitindo que o paciente trate duas condições oculares em um único procedimento.
Critérios para a cirurgia combinada
É importante destacar que nem todos os pacientes com glaucoma são elegíveis para a cirurgia combinada. A indicação é restrita àqueles que também necessitam operar catarata e possuem glaucoma primário de ângulo aberto em estágio inicial ou moderado, com a condição ocular controlada por colírios. A avaliação criteriosa de um oftalmologista é indispensável para determinar se a cirurgia é apropriada, considerando o estágio da doença e o tipo de glaucoma.
Próximos passos e implementação
Embora a incorporação das técnicas tenha sido oficializada, sua disponibilização nos serviços do SUS ainda está em fase de implementação, com um prazo de até 180 dias para que esteja efetivamente disponível. Os pacientes que se enquadram nos critérios podem desde já procurar orientação de seus oftalmologistas para acompanhar o andamento da implementação e planejar o tratamento adequado.
Vale ressaltar que essa nova opção não substitui os tratamentos já oferecidos pelo SUS para glaucoma, como medicamentos, laser e outras cirurgias. Cada paciente deve ser avaliado individualmente para que o tratamento mais adequado seja escolhido, garantindo assim a melhor abordagem para a preservação da saúde ocular.











