Em uma decisão crucial para o futuro do Grupo Safras, a Assembleia Geral de Credores, realizada na última sexta-feira (11/9), optou por manter o afastamento cautelar dos fundadores Pedro de Moraes Filho e Dilceu Rossato e rejeitar a continuidade de Emmanoel Alexandre de Oliveira como interventor. A administração interina será conduzida pela Tauá Partners até 9 de outubro, data em que a assembleia será retomada. Contudo, na Safras Armazéns, os credores decidiram em favor da AJ1 Administração Judicial para gerir a empresa temporariamente.
Contexto da recuperação judicial
O processo de recuperação judicial do Grupo Safras foi deferido em abril de 2025 pela 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop, Mato Grosso. Enfrentando uma dívida de R$ 2,2 bilhões, o grupo está em busca de soluções para reestruturar suas finanças e garantir sua sobrevivência. Entre os principais credores, destacam-se o Banco do Brasil com R$ 266,3 milhões, a Caixa Econômica Federal com R$ 66,3 milhões, o Bradesco com R$ 43,3 milhões, o Sicredi com R$ 34,2 milhões e o Santander com R$ 31,4 milhões.
A argumentação dos fundadores
Durante a assembleia, a defesa dos fundadores Pedro de Moraes Filho e Dilceu Rossato salientou a importância do conhecimento específico do agronegócio e das complexas relações empresariais para a recuperação do grupo. Os empresários admitiram erros estratégicos no passado, mas defenderam a necessidade de uma participação mais ativa no processo de recuperação. Além disso, comprometeram-se a apresentar, dentro de 30 dias, um memorando contendo propostas de investimentos, estratégias para o pagamento dos credores, revisão de contratos de arrendamento e alternativas para a geração de recursos.
Críticas à intervenção anterior
A condução do interventor Emmanoel Alexandre de Oliveira foi alvo de críticas durante a assembleia. Representantes de empresas como Bravano, UPL e Flow questionaram a transparência na gestão das contas, os contratos firmados e a qualidade das informações fornecidas aos credores. Essas críticas culminaram na rejeição à sua permanência e à busca por uma nova abordagem gestora.
Próximos passos e desdobramentos
A assembleia dos credores será retomada em 9 de outubro para discutir a revisão dos atos praticados pelo interventor, a homologação dos contratos celebrados durante sua gestão e a criação de um comitê de credores. Essas decisões são vistas como fundamentais para garantir a transparência e a eficiência na reestruturação do Grupo Safras, que enfrenta um desafio significativo para superar sua crise financeira. As movimentações em torno desse caso são acompanhadas de perto por analistas do setor e podem influenciar outros processos de recuperação judicial no país.
Fonte: https://globorural.globo.com











