A Assembleia Geral de Credores do Grupo Safras, realizada ontem (4/9), não obteve o quórum necessário para deliberações, exigindo uma nova reunião na próxima sexta-feira (11/9). O encontro visa discutir a continuidade das atividades, manter ou não afastamentos e decidir sobre a administração de cada entidade envolvida na recuperação judicial.
Entenda o contexto do Grupo Safras
O Grupo Safras, incluindo o Núcleo Randon, está em processo de recuperação judicial desde abril de 2025, conforme decisão da 4ª Vara Cível da Comarca de Sinop (MT). A dívida total do grupo atinge R$ 2,2 bilhões, com grandes credores como o Banco do Brasil (R$ 266,3 milhões), Caixa Econômica Federal (R$ 66,3 milhões), Bradesco (R$ 43,3 milhões), Sicredi (R$ 34,2 milhões) e Santander (R$ 31,4 milhões).
Desdobramentos da assembleia
Durante a assembleia, Luiz Eduardo Randon Rossato, um dos devedores do Núcleo Randon, conseguiu reunir seus credores para deliberar sobre a ordem do dia. O advogado Felipe Iglesias, representante dos sócios fundadores do Safras, Dilceu Rossato e Pedro de Morais Filho, afirmou que houve decisão pelo afastamento do interventor judicial das atividades de Rossato devido a falhas na gestão e prestação de contas.
Interventores judiciais e suas funções
Um interventor judicial é nomeado para administrar temporariamente uma empresa ou entidade em situações de irregularidades graves ou conflitos. No caso do Grupo Safras, a decisão dos credores de Luiz Eduardo Randon Rossato não reflete um julgamento geral do interventor, mas sim uma escolha específica dos envolvidos com este devedor.
Controvérsias e expectativas futuras
A assembleia também registrou polêmicas envolvendo o fundo Agri Brazil, que, segundo os advogados do Safras, não deveria se apresentar como controlador das empresas em recuperação. O fundo, no entanto, tem interesse em adquirir 60% do Grupo Safras, com a proposta de resolver as dívidas e priorizar os pagamentos à classe trabalhista.
Fontes próximas ao caso afirmam que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu recentemente que o fundo Agri Brazil assuma o controle do Grupo Safras, embora os advogados dos fundadores contestem essa interpretação, argumentando que o STJ não devolveu efetivamente o controle ao fundo.
Impactos regionais e nacionais
A situação do Grupo Safras e a movimentação de credores e investidores têm forte impacto na região de Sinop e no setor de biocombustíveis do Brasil. A recuperação judicial e a possível mudança de controle podem influenciar não apenas as operações locais, mas também o mercado nacional, caso o fundo Agri Brazil consiga implementar suas propostas de gestão.
Fonte: https://globorural.globo.com











