Durante o World Cancer Congress, realizado no final de setembro em Hong Kong, especialistas de todo o mundo debateram estratégias para detectar o câncer precocemente e melhorar o cuidado aos pacientes. Um dos destaques foi a apresentação de um especialista de Abu Dhabi, que abordou o conceito de ‘tempo invisível’ — período em que as mutações cancerígenas se acumulam silenciosamente antes de se manifestarem.
Nos Emirados Árabes Unidos, iniciativas como o sequenciamento genômico em larga escala e exames de sangue têm sido adotadas para identificar o câncer antes do aparecimento dos sintomas. Dados do A.C.Camargo Cancer Center indicam que, quando o câncer é detectado precocemente, as chances de cura com qualidade de vida superam os 95%.
Relatório da OMS e metas futuras
Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou o progresso em 16 áreas de controle do câncer. O destaque positivo foi a redução do tabagismo em 27% desde 2010, enquanto em áreas como obesidade e sedentarismo, a situação piorou. A Declaração Mundial do Câncer propõe metas para 2035, incluindo o diagnóstico de 60% dos casos em estágio inicial e a redução de 25% na mortalidade global.
Desafios no Brasil e comparação internacional
Em Hong Kong, a expectativa de vida média é de 86 anos, resultando em mais diagnósticos de câncer, mas com uma redução significativa na mortalidade ajustada por idade. No Brasil, com o envelhecimento gradual da população, projeta-se um aumento de 85% nos casos de câncer nos próximos 20 anos. Atualmente, nos países de alta renda, mais de 60% dos cânceres de mama são diagnosticados precocemente, enquanto em países de renda baixa e média, essa taxa é de apenas 28%.
Importância do rastreamento e do apoio psicossocial
O congresso ressaltou a necessidade de sistemas mais eficientes para rastreamento e diagnóstico precoce, além de alertas para exames em datas específicas. Outro ponto importante é o apoio psicossocial aos pacientes, que muitas vezes é negligenciado. Segundo levantamento, 64% dos pacientes oncológicos não recebem esse tipo de suporte, e apenas 17% dos oncologistas se sentem preparados para atender às necessidades emocionais dos pacientes.
Papel da inteligência artificial na oncologia
Há um consenso de que a inteligência artificial transformará a oncologia na próxima década, ampliando a capacidade de cuidado sem substituir a presença e empatia essenciais no tratamento. A tecnologia deve auxiliar na organização de jornadas e na melhoria da comunicação com pacientes e familiares.
Victor Piana, CEO do A.C.Camargo Cancer Center, destacou que a detecção precoce e o cuidado aprimorado são parte da mesma agenda, enfatizando que a excelência na oncologia deve estar alinhada à excelência humana.
Fonte: https://saude.abril.com.br












