Na efervescência de brincadeiras infantis, entre partidas de pique-pega e momentos no balanço, um episódio se destaca na rotina do pequeno Samuel, de 8 anos. Durante as férias, um breve instante de descontração deu lugar a uma conversa séria com o pai, Cleomar Barros, de 43 anos. A situação envolveu um comentário inapropriado sobre uma amiguinha, algo que Cleomar, residente em Brasília e natural de Goiânia, não deixou passar em branco. Como analista de sistemas e pai dedicado, ele sabe que educar é, acima de tudo, um ato contínuo de exemplo e cuidado.
A educação pelo exemplo
Cleomar acredita firmemente no poder do exemplo como ferramenta de ensino. Durante a conversa com Samuel, ele reforçou a importância do respeito às meninas, lembrando como sempre tratou a irmã mais velha do garoto. Este tipo de orientação é vital, especialmente em um mundo onde a misoginia pode se manifestar de maneira sutil ou explícita desde a infância. Cleomar destaca que gestos simples de cuidado e respeito no ambiente doméstico são fundamentais para moldar a percepção dos filhos sobre o tratamento igualitário entre homens e mulheres.
O papel dos pais na prevenção da misoginia
Especialistas como o psicanalista Thiago Queiroz, conhecido por sua página ‘Paizinho, vírgula!’ e autor do livro ‘Amor de pai’, compartilham dessa visão. Queiroz, que atua no Rio de Janeiro, ressalta que o respeito às mulheres deve ser naturalizado em todos os espaços que as crianças frequentam. Segundo ele, as atitudes dos pais são interpretadas e internalizadas pelas crianças ao longo de seu crescimento, influenciando diretamente suas futuras interações sociais.
Ações concretas para uma mudança cultural
Para além do ambiente familiar, a psicóloga Bárbara Lobato, que trabalha em Brasília, observa uma crescente conscientização entre os pais quanto à necessidade de combater a misoginia. Ela afirma que essa é uma construção cotidiana que envolve reconhecer e discutir as próprias vulnerabilidades e dores. Um diálogo aberto e honesto com os filhos é essencial para transmitir valores de respeito e igualdade.
O papel da escola na formação de valores
A professora Ana Paula Lilly, de Bauru (SP), destaca a importância de uma parceria entre família e escola na educação sobre respeito e igualdade de gênero. Ela argumenta que as escolas devem atuar na prevenção, oferecendo educação digital e midiática para que os jovens possam analisar criticamente o conteúdo a que são expostos. Ana Paula enfatiza que a unidade de ensino tem o dever de envolver os pais em casos de comportamentos inadequados, assegurando uma mensagem coerente e conjunta.
Iniciativas de apoio à paternidade
Em São Paulo, iniciativas como o Papicast, um canal de vídeos criado por um grupo de pais, busca ampliar as discussões sobre paternidade e oferecer uma rede de apoio. Tiago Koch, cofundador do projeto ‘De Mano pra Mano’, reforça a necessidade de os pais estabelecerem limites claros para os filhos, especialmente em questões relacionadas ao respeito corporal. Essas iniciativas são fundamentais para promover uma paternidade consciente e engajada na formação de jovens mais respeitosos e empáticos.











