Cerca de 7 milhões de israelenses comparecem às urnas nesta terça-feira, 27 de outubro, em um momento crucial para o futuro político do país, marcado pela primeira eleição após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Este pleito pode redefinir a liderança de Israel, com o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, enfrentando uma forte oposição que almeja uma mudança de poder.
Os principais candidatos e suas propostas
Entre os candidatos mais cotados para assumir o governo, destacam-se três partidos liderados por figuras conhecidas por suas posições linha-dura em questões militares e de segurança. Além de Netanyahu, que já soma 19 anos no poder e busca manter sua posição, há Gadi Eisenkot, do partido Yashar (Íntegro), e Naftali Bennett, liderando a coalizão Juntos (Beyahad).
Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, deixou o governo de Netanyahu após criticar sua condução na Faixa de Gaza, especialmente em relação ao resgate de reféns. Ele acusa Netanyahu de negligência, alegando que o primeiro-ministro foi alertado sobre a ação do Hamas, mas falhou em evitá-la.
Naftali Bennett, por sua vez, já exerceu o cargo de primeiro-ministro de 2021 a 2022. Conhecido por seu perfil religioso, Bennett busca liderar uma coalizão que, apesar de compartilhar algumas visões com Netanyahu, promete trazer novas abordagens para o cenário político.
Desafios na formação do governo
O sistema parlamentarista de Israel adiciona uma camada extra de complexidade ao processo eleitoral. Após as eleições, os partidos mais votados precisam formar uma coalizão majoritária no Knesset, o parlamento israelense, que possui 120 cadeiras. Sem o apoio dos partidos árabes, a oposição pode enfrentar dificuldades para alcançar a maioria necessária para formar o governo.
Repercussões e possíveis desdobramentos
Karina Stange Calandrin, professora de relações internacionais do Ibmec de São Paulo, destaca que, apesar das semelhanças entre os candidatos em termos de políticas de segurança, Netanyahu se diferencia por buscar medidas que poderiam concentrar mais poder no Executivo, em detrimento do Judiciário.
A questão dos assentamentos na Cisjordânia é outro ponto de divergência. Enquanto os partidos de extrema-direita na coalizão de Netanyahu incentivam a expansão dos assentamentos, os adversários políticos, como Eisenkot, prometem frear essa política, o que poderia diminuir a violência na região.
Impacto nas relações internacionais
Michel Gherman, professor do Departamento de Sociologia da UFRJ, observa que, apesar das diferenças entre os candidatos, todos compartilham a visão de que um Estado palestino não é viável no contexto atual. No entanto, Eisenkot parece mais aberto a negociar com países árabes, ao contrário de Netanyahu, que tem evitado o diálogo com nações como Catar e Egito.
Enquanto os israelenses votam, relatos de violência na Palestina ocupada surgem, com a agência de notícias Wafa denunciando ataques de colonos e forças de segurança israelenses. O resultado da eleição poderá influenciar as tensões na região, dependendo da composição do novo governo e de suas políticas em relação aos palestinos e à comunidade internacional.









