O setor cafeeiro brasileiro se prepara para uma significativa expansão nas exportações durante a safra 2026/27. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país deverá exportar 45 milhões de sacas de 60 quilos. Esse aumento de 17% em comparação com as 38,46 milhões de sacas exportadas na safra anterior representa um marco importante para a indústria.
Desafios climáticos e logísticos
O panorama para a safra 2026/27, entretanto, não é isento de desafios. Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, destacou que a previsão do fenômeno El Niño no segundo semestre pode impactar negativamente os números. Além disso, as chuvas acima da média em regiões chave como o sul de Minas Gerais e o Cerrado Mineiro já atrasaram a colheita, resultando em grãos deteriorados. Apesar disso, Ferreira acredita que o impacto será limitado, mas compromete a produção de cafés de alta qualidade, como os cerejas descascados.
Mercado internacional e geopolítica
Eduardo Heron, diretor do Cecafé, mencionou que o setor enfrenta incertezas logísticas e geopolíticas, como a possibilidade de tarifas dos Estados Unidos, um mercado crucial para o café brasileiro. Embora o Brasil tenha expandido seu alcance para 11 novos mercados nos últimos 12 meses, Heron sublinha a necessidade de consolidar essas presenças para aumentar volumes de exportação.
Além disso, conflitos na região do estreito de Ormuz ameaçam o segundo maior mercado do Brasil, a Ásia. Os conflitos podem redirecionar exportações originalmente destinadas a essa região para outros mercados, complicando ainda mais a situação para os exportadores brasileiros.
Perspectivas e tendências
O mercado global de café está em constante evolução, e o Brasil, como um dos maiores produtores e exportadores, busca ajustar-se às mudanças. Marcos Matos, diretor geral do Cecafé, destacou que o café arábica continua predominante, apesar de uma queda de 15,3% nas exportações na última safra. Por outro lado, a exportação de canéfora (conilon + robusta) também caiu, registrando uma diminuição de 23,5%.
A expectativa de preços mais baixos devido ao aumento da oferta global tem levado exportadores a segurar suas vendas, aguardando melhores condições de mercado. A estratégia visa garantir que o café brasileiro mantenha sua competitividade e qualidade reconhecida internacionalmente.
Impacto econômico
O café é um dos principais produtos de exportação do Brasil, contribuindo significativamente para a economia nacional. A projeção de crescimento nas exportações para a safra 2026/27 não apenas reforça essa importância, mas também indica uma recuperação das perdas recentes. Com os desafios climáticos e geopolíticos, os produtores e exportadores brasileiros precisam se adaptar rapidamente para manter o país na vanguarda do mercado global de café.
Fonte: https://globorural.globo.com
