As exportações de café do Brasil mostraram um declínio acentuado nos primeiros meses deste ano. Em fevereiro, o volume de café exportado foi de 2,618 milhões de sacas de 60 kg, representando uma queda de 23,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, gerando uma receita de US$ 1,062 bilhão.
Impactos no mercado global
No acumulado do primeiro bimestre, as exportações somaram 5,410 milhões de sacas, uma queda de 27,3% em comparação ao mesmo período de 2024. Financeiramente, isso significou uma redução de 13% nas receitas, passando de US$ 2,575 bilhões em 2025 para US$ 2,241 bilhões. Essa retração é atribuída principalmente às cotações do café arábica, que têm enfrentado perdas na Bolsa de Nova York devido à redução de posições por fundos de investimento, diante da expectativa de uma safra mais abundante.
Fatores internos e externos
A valorização do real frente ao dólar e a estratégia de venda gradual adotada pelos produtores brasileiros, que estão capitalizados, contribuem para a queda nas exportações. Isso reduziu a competitividade do café brasileiro no mercado internacional. Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, alerta que essa tendência pode continuar até a próxima safra, impactando negativamente o market share do Brasil a médio e longo prazo.
Principais destinos e suas variações
A Alemanha liderou como principal destino do café brasileiro, importando 786.589 sacas, o que corresponde a 14,5% do total exportado no primeiro bimestre. Entretanto, esse volume também está abaixo do esperado, com uma queda de 20,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Os Estados Unidos, tradicionalmente um dos maiores compradores, reduziram suas importações em 45,8%, adquirindo 655.998 sacas. Esta redução significativa pode ser atribuída a fatores econômicos internos e à busca por alternativas mais competitivas em outros países produtores.
Repercussões e perspectivas futuras
Itália, Bélgica e Japão também figuram entre os principais compradores, com importações de 568.598 sacas (+5,9%), 331.747 sacas (-6,8%) e 315.816 sacas (-34,5%), respectivamente. A diversidade nas variações percentuais reflete as complexidades do mercado global de café, onde cada país ajusta suas compras conforme suas necessidades e condições econômicas.
O cenário atual levanta questões sobre a capacidade do Brasil de manter sua liderança no mercado global de café. Com a possibilidade de novas safras e mudanças cambiais, o mercado observa atentamente os movimentos dos produtores brasileiros e suas estratégias para recuperar a competitividade internacional.
Fonte: https://agro.estadao.com.br











