Os frigorÃficos brasileiros decidiram interromper as exportações de carne bovina in natura para a China após esgotarem a cota anual de 1,1 milhão de toneladas, destinada a ser cumprida até 2026. Em junho, o Brasil exportou 158,3 mil toneladas para o paÃs asiático, marcando o recorde do ano até então e levando ao encerramento antecipado das vendas para evitar sobretaxas de 55% sobre o produto que exceder o volume permitido.
Impacto no setor e medidas adotadas
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o esgotamento da cota ocorreu devido ao grande volume exportado nos últimos meses de 2025, cerca de 326 mil toneladas, que ainda não haviam sido contabilizadas nos registros chineses. No acumulado de 2026, os frigorÃficos já exportaram 774,1 mil toneladas. Com essas exportações, a cota foi considerada oficialmente preenchida, levando as indústrias a adaptar suas produções.
Empresas do setor começaram a reduzir o ritmo de abates e conceder férias coletivas aos seus funcionários, como parte da estratégia para se ajustar à nova realidade de mercado. Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto, relatou que a produção de carne para a China já foi reduzida e que há uma desaceleração nos embarques.
Preocupações e expectativas de mercado
Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, destacou que algumas cargas enviadas recentemente poderão ser sobretaxadas, já que o volume da cota foi excedido. Ele também mencionou que o atraso do Ministério do Comércio da China em emitir alertas sobre o preenchimento da cota gerou um estranhamento no mercado, embora a expectativa seja de que a declaração oficial ocorra até o final de agosto.
A lentidão chinesa em oficializar o preenchimento da cota tem sido atribuÃda a gargalos na internalização dos produtos. Para os frigorÃficos brasileiros, a decisão de parar as exportações neste momento é estratégica para evitar a sobretaxa, que tornaria as operações inviáveis financeiramente.
Alternativas e futuro das exportações
Com a suspensão das vendas para a China, o setor frigorÃfico brasileiro busca alternativas em outros mercados. A demanda de paÃses como Estados Unidos, Hong Kong, Uruguai e Argentina tem sido vista como uma válvula de escape para compensar a perda temporária do mercado chinês. Algumas dessas nações são conhecidas por atuarem na triangulação de produtos para a China.
Lygia Pimentel acredita que, apesar do encerramento das exportações, ainda há um ‘espaço residual na cota’, permitindo que alguns produtos, como gorduras, sejam enviados sem a cota ser afetada. Em junho, foram exportadas 3,4 mil toneladas de gorduras para a China, totalizando 20,4 mil toneladas no ano.
Perspectivas para o mercado interno
Com o principal destino das exportações temporariamente indisponÃvel, o mercado doméstico de carne bovina deve enfrentar mudanças. A oferta interna poderá aumentar, pressionando os preços e promovendo ajustes na cadeia de produção e distribuição. FrigorÃficos estão atentos à nova dinâmica e se preparam para um perÃodo de mercado pressionado.
Fonte: https://globorural.globo.com
