A Austrália anunciou que atingiu sua cota de exportação de carne bovina para a China, estipulada para o ano de 2026, em um comunicado feito na quinta-feira, 18 de junho. A confirmação veio do governo chinês, que destacou que novas remessas da proteína serão submetidas a uma tarifa adicional de 55%, conforme previsto na salvaguarda comercial, começando a partir da meia-noite do dia 20 de junho. Essa medida é uma resposta ao cumprimento da cota anual de 205 mil toneladas, atingida pela Austrália.
Impactos das novas tarifas
A introdução das tarifas adicionais sobre as exportações australianas representa um desafio significativo para o comércio entre os dois países. Historicamente, a Austrália tem sido um dos principais fornecedores de carne bovina para a China, e a nova tarifação pode impactar tanto os exportadores australianos quanto os consumidores chineses que dependem dessa fonte de proteína. Em 16 de maio, o volume exportado já havia atingido 80% da cota, e em 2 de junho, chegou a 90%, evidenciando a alta demanda pelo produto australiano no mercado chinês.
Repercussões no Brasil
O impacto das cotas australianas também é sentido no Brasil, onde frigoríficos e a cadeia pecuária estão atentos ao avanço das exportações para a China. A expectativa é que o país asiático atinja em breve 80% do volume autorizado para os abatedouros brasileiros, que é de 1,1 milhão de toneladas. Conforme explica Eduardo Pedroso, diretor-executivo de Originação da JBS, a situação pode levar a uma acomodação do preço da arroba do boi no mercado interno, devido à restrição de volume de exportação.
Desafios e oportunidades para o Brasil
Apesar das dificuldades, Pedroso vê oportunidades para o Brasil em meio a esse cenário. Ele destaca que a busca por novos mercados é essencial para mitigar os efeitos das restrições chinesas. Com o déficit global de oferta de proteína, o Brasil tem a chance de expandir suas vendas para outros países. No entanto, ele alerta que essas negociações dependem de acordos sanitários, que não são imediatos, mas acredita ser um momento próspero para a pecuária brasileira.
Incertezas no mercado
Um dos desafios enfrentados por exportadores e importadores é a incerteza gerada pela forma como a China contabiliza a cota, considerando a data de entrada da carne no país. Com o transporte marítimo dos contêineres levando de 30 a 60 dias, há dificuldades em prever exatamente quando a cota será atingida. Essa imprevisibilidade faz com que o mercado opere com cautela, evitando assumir o ônus das tarifas adicionais. Segundo Pedroso, esse impasse tem desacelerado o ritmo de exportações.
Em conclusão, enquanto a Austrália enfrenta desafios com as novas tarifas impostas pela China, o Brasil vê nesse contexto uma oportunidade para expandir seu mercado de exportação de carne bovina. A situação exige que os países se adaptem rapidamente às mudanças no comércio global, buscando sempre novas estratégias para garantir a continuidade de seus negócios no mercado internacional.
Fonte: https://globorural.globo.com











