A recente onda de frio no Sul do Brasil, especialmente no Paraná, acendeu um alerta vermelho para os produtores de milho da região. Alcione Dalcanton, produtor rural que cultiva grãos em áreas arrendadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul, é um dos muitos que estão apreensivos com os efeitos das baixas temperaturas nas lavouras. Em Quedas do Iguaçu (PR), onde Dalcanton planta 30 hectares de milho segunda safra, a geada de fraca intensidade registrada no início desta semana já gerou preocupações significativas.
Impacto climático e apreensão dos agricultores
O clima adverso é um velho conhecido dos agricultores, mas a sua imprevisibilidade continua sendo um desafio. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), a temperatura mínima registrada em Quedas do Iguaçu foi de 4ºC na madrugada de segunda-feira, 11 de maio. Embora a geada não tenha sido intensa, Alcione Dalcanton acredita que haverá perdas na produção. “A geada não foi forte, mas com certeza haverá perdas na lavoura. Isso preocupa porque a gente apostou todas as fichas na safrinha”, declara o produtor.
Produção de milho em risco
Além do Paraná, Dalcanton também planta 300 hectares de milho em Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul, onde, até o momento, não houve registro de geadas. Apesar disso, a preocupação permanece, especialmente após as perdas significativas de 60% nas lavouras de soja, que abrangiam 400 hectares, devido à seca anterior. “A estiagem arrasou com a soja”, lamenta o agricultor, que agora observa atentamente as previsões meteorológicas para evitar novos prejuízos.
Desafios e expectativas futuras
Alcione Dalcanton planeja reavaliar a situação de suas plantações dentro de uma semana para determinar o percentual de perdas do milho. Ele observa que a espiga está além do ponto do milho verde, mas ainda em desenvolvimento, com o grão leitoso. A média de produtividade do milho safrinha na região centro-oeste do Paraná, onde suas terras estão localizadas, foi de 6.100 a 6.500 quilos por hectare na última safra, uma das mais altas do estado.
O peso dos custos na produção agrícola
A realidade do produtor rural é desafiadora, com custos de produção em alta e o preço de venda do produto em declínio. Dalcanton destaca a necessidade de eficiência na gestão para compensar o alto custo do arrendamento das terras e outros insumos agrícolas. “Os custos estão cada vez mais altos, enquanto isso, o preço para venda do produto tem ficado menor”, observa ele, sublinhando as dificuldades enfrentadas no setor.
Consequências para o mercado e o consumidor final
As condições climáticas adversas não afetam apenas os produtores, mas também podem ter repercussões para o mercado e o consumidor final. Com a possibilidade de redução na oferta de milho, os preços podem sofrer alterações, impactando desde a indústria de alimentos até o consumidor na ponta. A situação destaca a importância de políticas públicas que apoiem o setor agrícola, garantindo a estabilidade econômica e a segurança alimentar.
Fonte: https://globorural.globo.com











