O hábito de tirar uma soneca, frequentemente associado à cultura espanhola, também está presente na rotina dos brasileiros. Uma pesquisa recente revelou que 58% da população do Brasil afirma cochilar em algum momento da semana. No entanto, o que muitos não sabem é que o horário, a duração e a regularidade dessas sestas podem influenciar no ganho de peso. Este é o alerta de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em parceria com a Universidade de Múrcia, na Espanha.
Detalhes do estudo
Publicado no renomado Journal of Translational Medicine, o estudo analisou os dados de 5.260 adultos participantes da pesquisa nacional Sonar-Brasil. Este inquérito visa entender a relação entre o sono, a alimentação e o impacto desses fatores na saúde dos brasileiros. A nutricionista Giovana Longo-Silva, professora da UFAL e coordenadora da pesquisa, explica: “O Sonar-Brasil é o primeiro inquérito nacional sobre hábitos de sono e crononutrição, área que estuda como o horário das refeições pode impactar nosso metabolismo”.
Principais achados
O estudo destaca que cochilos mais longos estão associados a um maior peso corporal. Isso se deve ao fato de que, durante períodos prolongados de descanso, o indivíduo pode entrar no sono REM, que é profundo, e causar inércia e cronorruptura, desregulando o apetite. Longo-Silva afirma: “Nosso corpo não sabe mais se é de dia ou de noite, o que pode aumentar a produção de hormônios da fome e reduzir os hormônios da saciedade”.
Importância da regularidade
Além da duração, a regularidade das sestas também é crucial. A pesquisa indica que variações significativas na rotina de cochilos ao longo da semana podem levar ao ganho de peso. Alterações bruscas criam um descompasso circadiano, confundindo o relógio biológico e dificultando a regulação do metabolismo. A nutricionista recomenda que o hábito seja regular e breve, sugerindo sestas de 20 a 30 minutos.
Horário ideal para cochilos
O momento em que se tira a soneca também é relevante. O estudo revela que cochilar cerca de 1h15 após o almoço ou 7 horas após acordar está associado a um menor peso corporal. Durante esse intervalo, a digestão não é afetada e o risco de refluxo pós-sono diminui. Além disso, entre 13h e 15h, ocorre a “queda do meio da tarde”, quando o corpo experimenta uma diminuição na temperatura interna, sinalizando a necessidade de descanso.
Recomendações para um cochilo saudável
Embora não mencionado no estudo brasileiro, pesquisas espanholas sugerem que a melhor posição para cochilar é sentado, ajudando a evitar que o corpo confunda o cochilo com o sono noturno. No Brasil, a prática de cochilar é mais comum na região Norte, com 46% dos entrevistados confirmando o hábito durante a semana. Aos fins de semana, essa porcentagem sobe para 63%.
Conclusão
O estudo da UFAL traz à tona a importância de se considerar os hábitos de cochilo no contexto da saúde e do peso corporal. Compreender como o sono diurno impacta o metabolismo é essencial para adotar práticas mais saudáveis. A regularidade, a duração e o horário das sestas devem ser observados para evitar impactos negativos na saúde.
Fonte: https://saude.abril.com.br











