Na vitória dos Estados Unidos sobre o Paraguai por 4 a 1, na estreia da Copa do Mundo, o atacante Folarin Balogun foi o grande destaque da partida. Autor de dois gols, Balogun representa a seleção norte-americana por uma curiosa reviravolta do destino: ele nasceu nos EUA por um mero acaso.
Um nascimento inesperado
A história de Folarin Balogun começa em Nova York, onde ele nasceu em 3 de julho de 2001. Sua mãe, Florence, estava grávida de sete meses quando a companhia aérea impediu que ela retornasse para a Inglaterra, seu país de residência, devido às políticas de voo restritivas para gestantes. Sem alternativas, Florence e seu marido, Ben, permaneceram nos Estados Unidos até o nascimento de Folarin.
Após o nascimento, a família Balogun, de origem nigeriana, voltou para a Europa. Folarin cresceu na Inglaterra, onde começou sua trajetória no futebol ainda criança. Apesar de nunca ter morado nos Estados Unidos ou jogado por clubes americanos, ele possui a cidadania norte-americana, concedida a partir do local de nascimento.
Carreira promissora no futebol
Balogun iniciou sua carreira nas categorias de base do Arsenal, em Londres, aos oito anos de idade. Ele progrediu por todas as divisões de base, jogando pelas seleções juvenis da Inglaterra. Sua estreia profissional ocorreu em 2020. Após passagens pelo Middlesbrough e pelo Reims, da França, onde se destacou marcando 21 gols na temporada 2022-23, ele se transferiu para o Monaco por cerca de €40 milhões.
Em 2023, Balogun decidiu jogar pela seleção dos Estados Unidos, exercendo seu direito de cidadania. Sob o comando de Mauricio Pochettino, ele estreou de forma brilhante na Copa do Mundo de 2026, garantindo seu lugar como uma das estrelas da equipe.
Repercussões sociais e políticas
A situação de Balogun chama atenção em meio às políticas migratórias restritivas do governo de Donald Trump. A cidadania por direito de nascimento, que garantiu a Balogun o passaporte americano, tem sido alvo de críticas por parte do governo, que pejorativamente se refere a essa prática como ‘bebês âncora’. Em 2025, Trump assinou uma ordem executiva para revogar a cidadania por nascimento a filhos de pais sem situação migratória regular.
A medida enfrenta desafios legais e foi contestada por juristas, que levaram o caso à Justiça. Em março do mesmo ano, o governo solicitou à Suprema Corte que as restrições à cidadania por nascimento fossem parcialmente implementadas enquanto as disputas legais continuam.
Ironias e desdobramentos
A estreia de Balogun na seleção norte-americana é marcada por ironias. Em um cenário de políticas migratórias rígidas, o principal herói do time é considerado americano apenas por um acidente de nascimento. Nada em sua formação ou trajetória o conecta profundamente aos Estados Unidos, mas sim aos muitos estrangeiros que o governo atual busca repelir.
A história de Balogun levanta questões sobre identidade e pertencimento, desafiando a narrativa de exclusão promovida por políticas restritivas. Assim, sua presença na seleção não só enriquece o time com seu talento, mas também oferece uma reflexão importante sobre o impacto das políticas migratórias e o verdadeiro significado de ser americano.












