Nos últimos meses, as empresas exportadoras de frango do Brasil intensificaram suas vendas para a União Europeia, antecipando-se a uma suspensão iminente das importações pelo bloco, programada para esta quinta-feira (3). A decisão da Comissão Europeia, anunciada em maio, retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, incluindo carne bovina e de frango, ovos, mel e pescados, alegando falhas no controle do uso de antimicrobianos na produção.
Antecedentes da suspensão
A União Europeia tem demonstrado preocupação com o uso de antimicrobianos na cadeia produtiva de alimentos, especialmente aqueles que são usados tanto em animais quanto no tratamento de infecções humanas. A Comissão Europeia decidiu, em maio, que o Brasil não atendeu aos requisitos para comprovar a adequação a estas normas, resultando em uma suspensão que afeta diversos produtos de origem animal. Este movimento faz parte de um esforço mais amplo do bloco para garantir a segurança alimentar e combater a resistência antimicrobiana.
Reação do mercado e medidas de precaução
Com a decisão da suspensão se aproximando, importadores europeus aumentaram significativamente seus estoques de carne de frango brasileira, prevendo que esses estoques sejam suficientes para cobrir pelo menos o mês de setembro. Assim, apesar da suspensão oficial, as exportações de frango certificadas até 2 de setembro continuarão sendo aceitas, mitigando o impacto imediato sobre os embarques. O aumento das exportações para a Europa nos últimos meses também reflete uma estratégia das empresas brasileiras para redirecionar parte de sua produção para o mercado europeu antes da interrupção.
Esforços do Brasil para reverter a situação
Desde a decisão em maio, o governo brasileiro tem buscado diversas maneiras de resolver o impasse, principalmente no que diz respeito à carne bovina. Propostas, como a adoção de um período de transição para a implementação do regulamento europeu, foram apresentadas, mas rejeitadas. Em junho, o Ministério da Agricultura homologou um protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos, na esperança de que isso ajudasse nas negociações. No entanto, a reintegração do Brasil na lista de países autorizados a exportar ainda não foi alcançada.
Inspeções e futuras negociações
Uma comitiva de autoridades europeias está atualmente visitando plantas e granjas de frango no Brasil. O objetivo é inspecionar o sistema produtivo e os controles de medicamentos. Apesar da visita, fontes do setor não esperam uma reversão imediata da suspensão, já que o relatório das autoridades e o parecer final da UE sobre a cadeia produtiva do frango ainda não estão prontos.
Perspectivas futuras
Espera-se que as negociações continuem, com uma possível retomada das compras pela UE em novembro, quando está prevista uma reunião do comitê europeu responsável pelo assunto. Enquanto isso, o mercado brasileiro deve lidar com o redirecionamento de suas exportações para outros destinos.
Impacto das exportações recentes
Os dados das exportações mostram um aumento significativo nos embarques de frango do Brasil para a Europa. Em julho, o Brasil exportou 36,9 mil toneladas, mais do que sete vezes o volume do mesmo mês do ano anterior. Este aumento reflete uma estratégia de mercado frente à suspensão, com volumes superando consistentemente os do ano passado mês a mês.
Até julho, o Brasil exportou quase 226,5 mil toneladas de frango para a UE, um aumento de 73,4% em relação ao mesmo período de 2025. As 20 mil toneladas de frango da cota do acordo Mercosul-União Europeia, que estavam em vigor este ano, contribuíram para esse acréscimo, representando apenas uma parte do total exportado.
Fonte: https://globorural.globo.com












