A presença de jovens em conferências internacionais sobre meio ambiente tem aumentado nos últimos anos, mas a integração efetiva deles em espaços de decisão ainda enfrenta desafios significativos. Essa é a avaliação de Beatriz Azevedo, advogada cearense de 33 anos, recentemente reconhecida como uma das ‘Land Heroes’ pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
O título de ‘Land Hero’ é concedido a jovens e organizações que desenvolvem ações contra a desertificação, degradação da terra e seca, buscando dar visibilidade a agentes de mudança. Para Beatriz, embora haja expectativa de que os jovens contribuam significativamente para a solução das crises ambientais, falta-lhes a estrutura e o financiamento necessários para transformar essa expectativa em realidade.
Desafios de representatividade
Durante entrevista à Agência Brasil, Beatriz Azevedo abordou os desafios para transformar representatividade em influência política real. Ela destacou a importância de garantir que as vozes dos jovens sejam consideradas nas decisões políticas finais, o que demanda um envolvimento direto com os governos nacionais.
A advogada também apontou que, embora a participação dos jovens tenha avançado com programas como o ‘Youth Forum’ e o ‘Youth Negotiators’, ainda é necessário que suas contribuições sejam efetivamente incorporadas nas políticas públicas. Ela destaca o apoio do governo brasileiro, que se mostra aberto ao diálogo com jovens por meio do Itamaraty e de ministérios, como um exemplo positivo nesse cenário.
A COP17 e o foco na Caatinga
A COP17 de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, é vista por Beatriz como uma oportunidade para ampliar a visibilidade de problemas que afetam diretamente o Nordeste brasileiro. A conferência, que conta com a participação de representantes de 197 países, aborda temas como restauração de terras e segurança alimentar.
Beatriz Azevedo, que também é presidente da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e fundadora da ABA Climate Solutions, espera que a conferência traga mais atenção para a Caatinga e o Semiárido, regiões que geralmente ficam à margem das discussões climáticas centradas na Amazônia.
A importância do financiamento climático
Beatriz ressalta a importância do financiamento para iniciativas de restauração e conservação. Ela menciona que muitos dos jovens reconhecidos como ‘Land Heroes’ atuam diretamente em projetos de campo, enquanto sua iniciativa busca conectar financiadores a essas ações, focando no debate sobre políticas públicas e financiamento.
A advogada tem participado de conferências da ONU desde 2013 e observa um progresso significativo na inclusão de jovens nesses espaços. No entanto, ela argumenta que para que a juventude tenha influência real, é necessário que as iniciativas sejam apoiadas por políticas públicas sólidas e investimentos adequados.
Por que a juventude é essencial nos debates ambientais?
Beatriz Azevedo destaca a importância da participação de jovens nos debates ambientais, enfatizando a necessidade de justiça climática e a representatividade das diversas juventudes. Segundo ela, os jovens trazem energia e disposição para implementar projetos de impacto direto, uma característica crucial para o avanço das agendas ambientais.
Em resumo, a presença de jovens em conferências ambientais não apenas enriquece os debates, mas também é essencial para garantir que as soluções propostas sejam inovadoras e eficazes, refletindo as necessidades das futuras gerações.










