A maca peruana, uma raiz cultivada há milênios nos Andes, tornou-se um item de destaque no mercado global de suplementos alimentares, prometendo benefícios como aumento de energia, disposição e equilíbrio hormonal. No entanto, em sua terra natal, nos altiplanos peruanos, a maca desempenha um papel diferente, sendo uma parte integral da alimentação local desde a infância. Maria Cândida, jornalista e apresentadora, viajou ao Peru e à Colômbia para explorar as tradições alimentares andinas e compreender a fama que a maca adquiriu fora de suas fronteiras.
A tradição milenar da maca nos Andes
Nos Andes, a maca é mais do que um suplemento; é um alimento básico consumido em diversas preparações, como mingaus e sopas. Cultivada nas altitudes extremas das planícies de Junín, a mais de 4 mil metros acima do nível do mar, a maca (Lepidium meyenii) pertence à família das crucíferas, compartilhando características com o brócolis e o rabanete. A raiz, rica em carboidratos, fibras e minerais, é considerada uma fonte de nutrição valiosa para as comunidades locais.
Interesse científico e uso tradicional
A ciência moderna se interessa particularmente pelos compostos bioativos presentes na maca, como polifenóis e glucosinolatos, que podem influenciar o metabolismo energético e a comunicação hormonal. No entanto, ainda não há comprovações suficientes para afirmar que a maca possa substituir terapias hormonais na menopausa. Durante as gravações da série documental ‘Menopausa sem Fronteiras’, Maria Cândida observou que, apesar de a maca ser reconhecida, outras plantas como a sálvia são mais frequentemente mencionadas por mulheres andinas para aliviar sintomas do climatério.
A percepção das mulheres andinas
Em Cusco e Bogotá, Maria Cândida ouviu relatos de mulheres que, apesar de viverem em diferentes contextos geográficos, compartilham práticas semelhantes de cuidado durante a menopausa. Essas práticas, transmitidas por gerações, incluem o uso de ervas como camomila e erva-luísa. Na comunidade indígena Shipibo-Konibo, no Peru, as mulheres relataram que a mudança para áreas urbanas, como Lima, alterou sua experiência do climatério, intensificando sintomas devido à dificuldade de manter suas tradições alimentares e de cuidado.
O diálogo entre tradição e ciência
Especialistas como a ginecologista colombiana Sandra Escobar destacam que a medicina baseada em evidências não exclui o conhecimento tradicional. Pelo contrário, estudos podem integrar terapias naturais, como os fitoterápicos, aos tratamentos convencionais, desde que haja avaliação médica criteriosa. No Peru, instituições como o Instituto Nacional de Saúde e universidades locais buscam documentar e pesquisar o potencial terapêutico das plantas medicinais, aproximando a ciência dos saberes ancestrais.
A maca peruana, portanto, exemplifica como um alimento pode transcender seu uso tradicional, instigando o interesse científico e promovendo um diálogo entre culturas. Apesar da falta de evidências conclusivas sobre seus efeitos na menopausa, a raiz permanece um símbolo de como a tradição e a ciência podem se encontrar, oferecendo novas perspectivas sobre saúde e bem-estar.
Fonte: https://saude.abril.com.br











