Em meio a risos e reflexões, a comediante baiana Magali Moraes, de 41 anos, subiu ao palco do Museu Nacional da República, em Brasília, para uma apresentação que mesclou humor e crítica social. Durante o Festival Latinidades, o espetáculo Humor Negro lotou o teatro, mostrando a força de uma comédia que não apenas diverte, mas também provoca incômodo e reflexão.
A força do humor como crítica social
Magali Moraes integra o projeto Humor Negro, que reúne humoristas negros em um espetáculo de stand-up comedy que teve início em Salvador, em 2019, e conquistou espaço na televisão, sendo exibido no canal Multishow. A proposta do show é utilizar o humor para abordar temas sensíveis como racismo, machismo e homofobia, mas sempre com o objetivo principal de fazer rir.
Em entrevista à Agência Brasil, Magali enfatizou que o humor deve ser uma ferramenta de transformação social. ‘A intenção de fazer rir tem que ser sempre o objetivo principal, mas é possível fazer rir causando reflexão e incentivando mudanças’, afirmou. Para ela, o riso é uma forma de tornar mais compreensíveis as violações cotidianas.
Criatividade e resistência
A inspiração para o projeto Humor Negro surgiu da produtora Val Benvindo, de 36 anos, que desejava criar um espaço onde pessoas negras pudessem ser protagonistas de suas próprias histórias, e não apenas alvo de piadas. O título do espetáculo é uma ironia ao termo ‘humor negro’, frequentemente utilizado de forma pejorativa.
Val Benvindo relembra que as primeiras apresentações ocorreram em 2019 no teatro Jorge Amado, um marco cultural em Salvador. Com o advento da pandemia, o projeto ganhou visibilidade nacional ao ser transmitido pelo Multishow e Globoplay, com gravações no Teatro Vila Velha, outro palco emblemático da cultura baiana.
O impacto do Humor Negro
O espetáculo Humor Negro não só diverte, mas também fomenta discussões sobre questões raciais e sociais. Magali Moraes acredita que o humor pode ser um espaço mais inclusivo, onde mulheres, especialmente as negras e homossexuais, se sintam representadas e compreendidas. ‘A gente faz rir inclusive do preconceito, carregado na vida dessas mulheres’, destaca a comediante.
A proposta do espetáculo é criar um ambiente onde as pessoas possam rir das próprias vivências e mazelas, promovendo um humor que não ridiculariza o outro, mas que celebra a diversidade e as experiências individuais. Essa nova geração de humoristas negros busca transformar suas dores em histórias que fazem o público pensar.
O projeto Humor Negro, mais do que um espetáculo de comédia, é um movimento de resistência e afirmação cultural. Ao transformar o palco em um espaço de diálogo e reflexão, Magali Moraes e seus colegas humoristas mostram que é possível fazer rir enquanto se desafia preconceitos e se promove a inclusão.











