Desde a ascensão da imunoterapia como uma opção inovadora no tratamento do câncer, o pembrolizumabe tem se destacado como uma alternativa versátil e eficaz no combate a uma variedade de tumores. Comercializado sob o nome de Keytruda pela farmacêutica MSD, o medicamento foi aprovado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2014 pela Food and Drug Administration (FDA) e chegou ao Brasil em 2018, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Como funciona o pembrolizumabe?
O pembrolizumabe atua no sistema imunológico, estimulando-o a reconhecer e destruir células tumorais. Diferente de tratamentos que atacam diretamente o tumor, ele bloqueia certos mecanismos que os tumores utilizam para escapar da ação das células de defesa do organismo, permitindo uma resposta imunológica mais eficaz. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil, explica que essa abordagem é o que torna o pembrolizumabe amplamente aplicável em diferentes tipos de câncer.
Indicações clínicas e administração
Com mais de 40 indicações aprovadas pela Anvisa, o pembrolizumabe é utilizado no tratamento de cânceres como melanoma, carcinoma cutâneo de células escamosas, câncer de pulmão de células não pequenas, e muitos outros. Pode ser administrado tanto em estágios iniciais quanto avançados da doença, podendo ser utilizado como monoterapia ou combinado com outras terapias. Tradicionalmente administrado de forma intravenosa, a Anvisa também aprovou uma versão subcutânea, que reduz significativamente o tempo de aplicação.
Impacto e repercussão econômica
O pembrolizumabe se tornou uma das medicações mais lucrativas da indústria farmacêutica, movimentando cerca de US$ 7,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, conforme dados da Bloomberg. No Brasil, o custo de uma ampola de 100 mg/4 mL começa em aproximadamente R$ 15 mil, e o tratamento pode ultrapassar R$ 470 mil anualmente. No Sistema Único de Saúde (SUS), está disponível gratuitamente apenas para o tratamento do melanoma avançado, enquanto no sistema suplementar, planos de saúde devem cobrir os custos se houver prescrição médica.
Segurança e efeitos colaterais
O pembrolizumabe é conhecido por seu perfil de segurança, com efeitos colaterais geralmente leves ou moderados, como fadiga e náuseas. Segundo Márcia Datz Abadi, reações mais graves, incluindo respostas autoimunes, exigem avaliação médica imediata. Outro aspecto positivo é que o medicamento raramente causa queda de cabelo, um efeito colateral comum em tratamentos tradicionais de câncer.
Patente e acesso futuro
Atualmente, não há versão genérica do pembrolizumabe disponível, com a patente expirada prevista para 2028. Isso limita algumas opções de acesso, mas a expectativa é que, com o tempo, novas alternativas possam surgir, ampliando o alcance deste importante medicamento na luta contra o câncer.
Fonte: https://saude.abril.com.br











