A Tirzec, uma marca de tirzepatida fabricada no Paraguai, vem ganhando atenção entre brasileiros em busca de alternativas para perda de peso. No entanto, o produto não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sua venda é proibida no país. Essa ausência de regulamentação levanta preocupações sobre a segurança e a eficácia do medicamento, que promete efeitos semelhantes aos das populares canetas emagrecedoras originais.
O que é a Tirzepatida e como funciona
A tirzepatida é uma molécula que atua imitando os hormônios GLP-1 e GIP, que são naturalmente produzidos pelo organismo. Essa dupla ação estimula a liberação de insulina pelo pâncreas, ajuda a controlar a glicemia, retarda o esvaziamento gástrico e aumenta a sensação de saciedade. Esses mecanismos fazem da tirzepatida uma opção eficaz no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Entretanto, todas as evidências científicas sobre essa molécula foram obtidas a partir de estudos com a tirzepatida original, desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly, sob a marca Mounjaro. A Eli Lilly protege a molécula com uma patente internacional e não a fornece para outros fabricantes, o que significa que a Tirzec não contém a molécula original de tirzepatida.
Produção e comercialização da Tirzec
A Tirzec é fabricada pela Quimfa S.A., uma empresa paraguaia que começou suas operações em 1985 com medicamentos para gripe e expandiu para outras áreas. Apesar do histórico da empresa na fabricação de medicamentos convencionais, a tirzepatida pertence a uma classe mais complexa de terapias metabólicas que exigem rigorosos controles de qualidade e estabilidade.
No Paraguai, a Tirzec é vendida em ampolas de 5 mg, 7,5 mg, 10 mg e 15 mg. Diferente das canetas preenchidas, onde a dose já vem pronta para aplicação, o usuário deve aspirar o medicamento com uma seringa para aplicação subcutânea. Em algumas apresentações, o conteúdo pode ser usado em múltiplas aplicações, exigindo que o paciente faça o fracionamento da dose.
Riscos e controvérsias
Sem aprovação da Anvisa, a Tirzec não pode ser vendida legalmente no Brasil. Produtos adquiridos no Paraguai e revendidos pela internet ou redes sociais são considerados clandestinos e podem ser apreendidos. A falta de regulamentação também significa que não há garantia sobre a qualidade, pureza ou estabilidade do produto, o que representa um risco significativo para a saúde dos consumidores.
Em análises laboratoriais, tirzepatidas irregulares já foram encontradas com contaminantes, anfetamínicos e soluções sem a devida esterilidade. Para tratamentos de obesidade e diabetes, especialistas recomendam o uso de medicamentos aprovados pela Anvisa, acompanhados de supervisão médica para garantir a segurança do paciente.
O hepatologista Raymundo Paraná, professor da Universidade Federal da Bahia, ressalta que a regulamentação visa proteger os pacientes, em vez de representar um obstáculo ao acesso a tratamentos. Ele enfatiza que a segurança deve ser a prioridade, evitando colocar as pessoas em risco com produtos não certificados.
Conclusão
Embora a Tirzec ofereça uma promessa atraente de perda de peso, a falta de registro e avaliação da Anvisa torna seu uso uma escolha arriscada. Os consumidores devem estar cientes dos potenciais perigos de medicamentos não certificados e buscar alternativas seguras e regulamentadas, sempre com a orientação de profissionais de saúde qualificados.
Fonte: https://saude.abril.com.br











