O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (15) não adiar o julgamento da ação penal envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do Partido Liberal de São Paulo (PL-SP). Bolsonaro é acusado de coação no curso do processo relacionado ao seu envolvimento na promoção de tarifas dos Estados Unidos contra exportações brasileiras. A decisão de Moraes mantém o julgamento para esta terça-feira (16) pela Primeira Turma do STF.
A formação da Primeira Turma
A Primeira Turma do STF, responsável por julgar o caso, é composta atualmente pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, que também é o relator do processo. Desde a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma no ano passado, a Primeira Turma vem operando com quatro dos cinco ministros tradicionais.
Solicitação de adiamento pela DPU
A Defensoria Pública da União (DPU), que defende Eduardo Bolsonaro, havia solicitado o adiamento do julgamento. A DPU argumentou que a composição atual da turma poderia comprometer a imparcialidade do julgamento, sugerindo a necessidade de convocar um ministro adicional. No entanto, Alexandre de Moraes destacou que o regimento interno do STF permite que as turmas funcionem com um quórum mínimo de três ministros, negando assim o pedido de adiamento.
Contexto e acusações
O caso data de novembro do ano passado, quando o STF aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Eduardo Bolsonaro. A denúncia envolve sua atuação para promover um ‘tarifaço’ por parte dos Estados Unidos contra exportações brasileiras e a suspensão de vistos de ministros do governo federal e do STF. Desde então, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e perdeu seu mandato parlamentar por não participar das sessões da Câmara dos Deputados.
Defesa e desafios legais
Antes de liberar o caso para julgamento, Alexandre de Moraes notificou o ex-deputado por edital, mas ele não foi encontrado e não indicou um advogado particular para sua defesa. Diante disso, Moraes autorizou que a DPU atuasse em sua defesa. Nas alegações finais, a DPU pediu a anulação do processo, argumentando que Moraes poderia ser considerado vítima das ações de Eduardo Bolsonaro, devido ao cancelamento de vistos e sanções financeiras sob a Lei Magnitsky.
Implicações e próximos passos
O julgamento de Eduardo Bolsonaro no STF pode ter implicações significativas tanto para o ex-deputado quanto para o cenário político brasileiro. Caso seja condenado, as consequências podem incluir sanções legais adicionais ou mesmo a perda de direitos políticos. A decisão do STF também pode influenciar as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, dependendo dos desdobramentos do caso.











