No coração do Paraná, a 28 quilômetros de Maringá, o Sítio Roda d’Água, localizado no município de Floresta, é mais do que uma simples propriedade agrícola. Desde 1948, este pedaço de terra é o lar da família Jung, que soube transformar sua história em um exemplo de sustentabilidade ao unir a produção de soja com a apicultura. A tradição iniciada pelo avô de Lígia Jung, engenheira agrônoma e atual produtora rural, continua a evoluir e a inspirar novas práticas agrícolas.
A origem de uma tradição familiar
Em 1948, o avô de Lígia adquiriu a propriedade que era, na época, uma área de mata fechada, um verdadeiro desafio para qualquer agricultor. A família começou a desbravar o terreno e, como muitos no norte do Paraná, iniciou a produção de café. Paralelamente, as abelhas foram introduzidas na propriedade para suprir a necessidade de açúcar, um item caro na época. Essa introdução, quase que por acaso, acabou se tornando um elemento central na vida agrícola da família.
Impacto da geada e a transição para a soja
A década de 1970 trouxe mudanças drásticas para os produtores de café do Paraná, com geadas severas que devastaram os cafezais. No entanto, as abelhas permaneceram, e a fazenda se adaptou à nova realidade agrícola, introduzindo a soja como principal cultivo. A convivência entre abelhas e soja, no entanto, não foi planejada como uma estratégia sustentável naquele momento, mas sim uma continuação natural das práticas já estabelecidas pela família.
Benefícios inesperados da convivência
Sem alarde, a presença das colmeias trouxe vantagens inesperadas. Antônio Jung, filho do fundador e atual responsável pela propriedade, observou que as áreas próximas às colmeias tinham uma produtividade superior. O peso dos grãos de soja colhidos nessas áreas era maior, exigindo que a colheitadeira diminuísse a velocidade para evitar sobrecarga. Essa observação empírica despertou a atenção para os benefícios da polinização, que passaria a ser um tema de debate e estudo anos depois.
Inspirando um projeto nacional
A prática iniciada no Sítio Roda d’Água não passou despercebida. Hoje, a combinação de soja e abelhas serve de inspiração para agricultores e apicultores em todo o Brasil. A iniciativa destaca a importância da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos na agricultura moderna. Projetos que unem esses dois setores estão ganhando força, incentivando uma produção mais sustentável e consciente dos recursos naturais.
Relevância e desafios para o futuro
A história de sucesso da família Jung levanta questões importantes sobre a integração de práticas agrícolas sustentáveis. Em um momento em que a discussão sobre o impacto ambiental da agricultura é cada vez mais urgente, exemplos como o do Sítio Roda d’Água oferecem alternativas viáveis. O desafio está em expandir essas práticas e adaptá-las a diferentes contextos regionais, garantindo que a agricultura continue a progredir sem comprometer os recursos das futuras gerações.
Fonte: https://agro.estadao.com.br











