O governo francês deu um passo decisivo ao anunciar que apresentará um projeto de lei ao Senado com o objetivo de responsabilizar financeiramente aqueles que causam danos durante protestos. A informação foi divulgada pela porta-voz do Executivo, Maud Bregeon, nesta segunda-feira (5). A medida surge em um momento em que o país enfrenta uma onda de protestos estudantis que resultaram no fechamento total ou parcial de cerca de 500 escolas.
A proposta ‘casseurs-payeurs’
Conhecida como ‘casseurs-payeurs’, que em tradução livre significa ‘quem quebra, paga’, a iniciativa visa a evitar que os custos dos danos sejam arcados pelos contribuintes, um problema recorrente em manifestações que descambam para a violência. Bregeon destacou que a prioridade do governo é restabelecer a ordem diante da destruição generalizada observada nos recentes protestos.
O contexto das manifestações
Os protestos estudantis, que começaram há vários dias, foram motivados por queixas quanto à falta de professores substitutos, o estado precário das instalações escolares e as condições de ensino. Estes eventos têm se caracterizado por bloqueios, incêndios e confrontos com a polícia, resultando em dezenas de milhões de euros em danos a edifícios e mobiliário urbano. Segundo o Ministério da Educação francês, de 400 a 500 escolas secundárias ainda estão com aulas suspensas devido a questões de segurança.
Repercussão e medidas governamentais
A proposta do governo francês também prevê a utilização de benefícios sociais, como o subsídio de alojamento, para recuperar os valores devidos pelos responsáveis. Além disso, há a ideia de instituir responsabilidade compartilhada para aqueles que permanecem em manifestações violentas após ordens de dispersão da polícia. O ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, expressou temor de que a situação possa evoluir para uma crise nacional no movimento estudantil.
Respostas e planos futuros
Em resposta à pressão crescente, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou um plano de ação que foca em cinco áreas prioritárias. O plano visa garantir a continuidade das aulas, melhorar as condições das instalações escolares, resolver a questão das ausências prolongadas de professores e tornar os processos de admissão nas universidades mais transparentes. Lecornu também destacou um aumento significativo no orçamento do Ministério da Educação para 2027, com um acréscimo de 1,2 bilhão de euros.
Possíveis desdobramentos
Os sindicatos de estudantes, por sua vez, convocaram uma intensificação dos protestos a partir desta terça-feira (6), com apoio de sindicatos gerais e organizações de professores. A continuidade e o impacto dessas manifestações podem influenciar o cenário político francês, especialmente se o governo falhar em implementar medidas eficazes para atender às reivindicações dos estudantes.











