O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a facilitar a detecção precoce do câncer de intestino com a introdução do Teste Imunoquímico Fecal (FIT). Essa nova abordagem elimina a necessidade de dieta especial e preparo intestinal, prometendo simplificar significativamente o processo de rastreamento para a população brasileira.
A inovação do Teste Imunoquímico Fecal
O FIT será utilizado em homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas de câncer colorretal. A principal função do teste é identificar pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que são invisíveis a olho nu e podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer.
O método é especialmente conveniente, pois permite que o paciente realize a coleta em casa usando um kit fornecido pelo SUS. Após a coleta, a amostra é enviada para análise laboratorial. O FIT utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano, diferenciando-se de métodos mais antigos em termos de precisão e praticidade.
Implementação e relevância do novo protocolo
O Ministério da Saúde anunciou a introdução desse protocolo em maio de 2023, com implementação prevista para o segundo semestre de 2026. O processo de registro nos sistemas do SUS começou em setembro de 2023, marcando um passo significativo na operacionalização do teste.
O câncer colorretal é um dos tipos de câncer mais comuns no Brasil, com uma estimativa de 53,8 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Portanto, a introdução do FIT no SUS representa um avanço importante na prevenção e diagnóstico precoce dessa doença.
Benefícios e desdobramentos do uso do FIT
Uma das principais vantagens do FIT é a eliminação da necessidade de preparo intestinal e de múltiplas amostras, o que torna o procedimento menos invasivo e mais acessível. Essa simplificação pode aumentar significativamente a adesão ao rastreamento entre a população-alvo.
O teste possui uma sensibilidade entre 85% e 92% para detectar alterações, mas um resultado positivo não é um diagnóstico de câncer. Nesse caso, o paciente deve passar por exames complementares, como a colonoscopia, que permite visualizar o cólon e o reto para investigar a origem da alteração.
Durante a colonoscopia, é possível remover pólipos que, embora benignos, têm potencial de evoluir para câncer. Assim, o FIT não apenas facilita a detecção precoce, mas também integra-se a uma estratégia preventiva abrangente.
Desafios e expectativas
A implementação do novo protocolo dependerá da capacidade dos serviços de saúde em organizar a oferta adequada do teste. O sucesso do programa estará diretamente ligado à logística de distribuição dos kits e à eficácia do processamento das amostras nos laboratórios.
O impacto potencial do FIT é significativo, com a expectativa de alcançar uma população de mais de 40 milhões de brasileiros dentro da faixa etária alvo. A simplificação do teste pode ser crucial para aumentar a taxa de detecção precoce, reduzindo a mortalidade associada ao câncer colorretal no país.










