A falta de vacinas durante a gestação tem exposto bebês a doenças potencialmente fatais, como relatam mães tocantinenses. A empresária Mariana Maciel, de 33 anos, vivenciou essa realidade quando sua filha, Sofia, contraiu o vírus sincicial respiratório (VSR) com apenas dois meses de vida. O início dos sintomas, que parecia uma simples tosse, rapidamente evoluiu para uma situação crítica, resultando em sua internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A importância da vacinação durante a gravidez
Vacinas são essenciais para proteger não apenas as gestantes, mas também os bebês que ainda estão por nascer. No caso do VSR, a vacina é aplicada na mãe, permitindo que os anticorpos sejam transferidos para o bebê através da placenta. Essa estratégia, adotada recentemente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem mostrado resultados promissores, com uma redução de 52,5% nos casos de doenças respiratórias graves entre menores de seis meses no Brasil desde sua incorporação em dezembro de 2025.
Desafios e lacunas na cobertura vacinal
Apesar dos avanços, a adesão a outras vacinas essenciais para gestantes, como a dTpa (contra difteria, tétano e coqueluche), hepatite B, influenza e COVID-19, não tem acompanhado o mesmo ritmo. Em 2026, a cobertura da dTpa caiu pelo segundo ano consecutivo, e a vacinação contra a COVID-19 em gestantes atingiu apenas 55,56%, muito abaixo da meta de 90%.
Consequências da baixa imunização
A baixa adesão às vacinas durante a gravidez pode ter consequências severas. Em 2025, houve um aumento de 6,5% nos casos de hepatite B em crianças pequenas no Brasil. Especialistas alertam que a continuidade dessa tendência pode levar a um ressurgimento de outras doenças preveníveis por vacinas, colocando em risco a saúde pública.
Testemunhos e conscientização
Mariana Maciel, que quase perdeu a filha para o VSR, agora se dedica a conscientizar outras mães sobre a importância da vacinação durante a gestação. Ela utiliza as redes sociais para compartilhar sua experiência e alertar sobre os perigos de negligenciar os imunizantes. ‘Mesmo em um cenário em que ela contraísse o vírus, se estivesse vacinada, os desfechos teriam sido muito menos agressivos’, reflete Mariana.
O papel das autoridades de saúde
As autoridades de saúde têm o desafio de aumentar a cobertura vacinal entre gestantes e esclarecer dúvidas comuns que podem impedir a imunização. A pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca a necessidade de campanhas educativas contínuas para garantir que as gestantes recebam as vacinas recomendadas.
Perspectivas futuras
Com a introdução de novas vacinas e a ampliação do acesso pelo SUS, espera-se que a adesão às vacinas essenciais aumente nos próximos anos. No entanto, é crucial que haja um esforço conjunto entre o governo, profissionais de saúde e a sociedade para assegurar que todas as gestantes tenham as informações e o acesso necessários para proteger a si mesmas e seus bebês.
Fonte: https://saude.abril.com.br











