O Irã se prepara para um dos maiores funerais de sua história recente, em homenagem a Ali Khamenei, o antigo líder supremo iraniano. O caixão de Khamenei chegou ao complexo religioso de Teerã nesta sexta-feira (3), marcando o início de cerimônias fúnebres que devem se estender até a próxima quinta-feira (9). O falecimento de Khamenei, ocorrido há quatro meses em um ataque aéreo conjunto de Israel e Estados Unidos, provocou comoção e gerou um complexo cenário político e social no país.
Um funeral de proporções históricas
O corpo de Ali Khamenei, envolto na bandeira iraniana, está em exibição na Grande Mosalla, uma mesquita de destaque em Teerã, até a próxima segunda-feira (6). As paredes do complexo estão adornadas com retratos do líder, bandeiras negras em sinal de luto e bandeiras vermelhas que simbolizam martírio e vingança. Este funeral de Estado foi adiado devido à guerra que se seguiu à sua morte, mas agora promete ser o maior já realizado no Irã, superando o de seu antecessor, Ruhollah Khomeini, em 1989, que reuniu cerca de 10 milhões de pessoas.
A presença de líderes e a repercussão internacional
De acordo com a emissora estatal iraniana IRIB, representantes de mais de 100 países deverão comparecer às cerimônias fúnebres. Entre os confirmados estão o ex-presidente russo Dmitry Medvedev e o primeiro-ministro paquistanês Shebaz Sharif. A China enviará um alto funcionário do parlamento, He Wei. O evento também atrai representantes de países aliados do Irã, como Líbano, Iraque e Iémen, destacando a influência regional que o país exerce.
O contexto político e social
A morte de Khamenei ocorre em um momento de tensões elevadas entre o Irã e o Ocidente, com um frágil cessar-fogo entre Teerã e Washington. O atentado que matou o líder foi realizado por seus inimigos declarados, Estados Unidos e Israel, e se insere na tradição xiita de martírio e luto, evocando o simbolismo do martírio do terceiro imã do xiismo, Hussein, no século VII. Este contexto reforça a narrativa de resistência e vingança promovida pelo regime iraniano.
O legado de Ali Khamenei
Ali Khamenei foi o líder supremo mais longevo desde a fundação da República Islâmica em 1979. Durante seu governo, consolidou o poder teocrático e militar do país, apresentando-se como um defensor dos ideais revolucionários e da solidariedade com os palestinos. Sua morte em um ataque inimigo reforça o discurso nacionalista e de resistência do Irã, que agora vê em seu sucessor, Mujtaba Khamenei, uma continuidade de sua liderança e ideais.
Desdobramentos futuros
O funeral de Ali Khamenei será concluído em Mashhad, onde ele será sepultado próximo ao túmulo do Imã Reza, um local de grande devoção no Irã. As cerimônias e a presença internacional reforçam o papel do Irã como um importante ator no cenário geopolítico do Oriente Médio. A morte de Khamenei e a subsequente sucessão política podem ter impactos duradouros na estabilidade regional e nas relações do Irã com o Ocidente.











