As recentes condições climáticas adversas no Brasil têm impactado diretamente o mercado internacional de café, resultando em uma alta significativa nos preços do café arábica na bolsa de Nova York. Na última quarta-feira, 1º de agosto, os contratos para setembro fecharam em alta de 4,54%, alcançando US$ 3,0990 por libra-peso. Esse cenário reflete a crescente preocupação dos investidores com o excesso de chuvas nas lavouras brasileiras, o maior produtor mundial dessa variedade de café.
Impacto das chuvas nas lavouras brasileiras
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as precipitações registradas em junho deste ano foram atípicas. Historicamente, esse mês é caracterizado por chuvas escassas, mas em 2026 houve volumes expressivos que prejudicaram o andamento da colheita da safra 2026/27. A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior cooperativa de café do mundo, relatou que a colheita atingiu apenas 24,9% da área cultivada até 28 de junho, o menor índice desde 2018. No mesmo período do ano anterior, esse percentual era de 31,4%.
Consequências para a qualidade do café
A umidade excessiva não apenas atrasou a colheita, mas também afetou a qualidade dos grãos. As chuvas causaram a queda dos grãos dos pés e dificultaram a secagem nos terreiros, além de favorecerem o aparecimento de mofo tanto nos grãos caídos quanto nos que ainda estão nas plantas. Isso gera uma preocupação significativa quanto à qualidade dos lotes futuros, o que pode impactar ainda mais os preços no mercado internacional.
Oportunidades e desafios para os cafeicultores
Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria, comenta que, apesar dos desafios climáticos, esse momento pode representar uma oportunidade de vendas para os cafeicultores que ainda possuem negociações pendentes. Com os preços em alta, há uma janela para que produtores aproveitem a valorização para negociar seus estoques.
Efeito das condições climáticas em outros mercados
O impacto do clima não se restringe apenas ao café. Outros produtos agrícolas também sentiram os efeitos das condições climáticas. O suco de laranja concentrado e congelado, por exemplo, registrou um aumento de 3,84%, sendo negociado a US$ 1,7160 a libra-peso. O algodão, outro produto afetado, viu seus lotes para dezembro subirem 1,35%, atingindo 77,84 centavos de dólar por libra-peso. O açúcar demerara e o cacau também apresentaram altas, com o açúcar registrando a quarta alta consecutiva, fechando a 14,99 centavos de dólar por libra-peso, e o cacau subindo 0,28%, com contratos para setembro negociados a US$ 5.092 a tonelada.
Repercussão e desdobramentos futuros
A situação climática no Brasil e seu impacto nos mercados agrícolas internacionais têm gerado discussões entre analistas e investidores. O aumento nos preços dos produtos agrícolas pode influenciar a inflação global e afetar consumidores em diversas partes do mundo. O cenário também levanta questões sobre a resiliência do setor agrícola às mudanças climáticas e a necessidade de estratégias de adaptação para mitigar futuros impactos negativos.
Fonte: https://globorural.globo.com











