A Copa do Mundo de 2026, que será realizada no Canadá, Estados Unidos e México, está gerando grandes expectativas no setor de carnes no Brasil. Com as mudanças no formato da competição, que agora contará com 48 seleções e uma duração de 38 dias, o segmento de carne bovina espera um aumento significativo no consumo durante o evento. A tradição de reunir amigos e familiares para assistir aos jogos é vista como uma oportunidade para impulsionar as vendas de cortes de churrasco, especialmente os produtos ‘premium’.
Oportunidade de mercado para carnes premium
Maychel Carvalho Borges, gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, destaca que a Copa do Mundo sempre traz uma movimentação positiva no consumo de carne. Em 2022, o programa registrou uma alta de 78,7% na produção, com 53 mil toneladas, das quais a maioria foi consumida internamente. Borges acredita que, embora seja cedo para estimar a demanda exata, o setor está se preparando para um aumento nas compras, especialmente de cortes como picanha, maminha e fraldinha.
Impacto da localização e horário dos jogos
A localização dos países-sede da Copa de 2026 favorece o consumo no Brasil devido a fusos horários mais próximos, ao contrário da edição passada no Catar. A estreia do Brasil, marcada para um sábado à noite, coincide com um momento propício para confraternizações. Felipe Azambuja, do Programa Carne Certificada Hereford, ressalta que o desempenho da Seleção Brasileira pode influenciar diretamente o consumo. O entusiasmo dos torcedores tende a aumentar se o Brasil alcançar fases como quartas de final ou semifinais.
Carne suína também entra na jogada
O setor de carne suína também está otimista com a Copa do Mundo. Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), acredita que a versatilidade da carne suína a coloca como uma opção viável para o churrasco. A 14ª Semana Nacional da Carne Suína, programada para coincidir com o início da Copa, visa promover cortes como a copa lombo e a picanha suína, destacando sua competitividade financeira frente à carne bovina.
Análises e projeções do mercado
Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da Safras & Mercado, aponta que o poder de compra ainda é um fator limitante para muitos brasileiros. Embora a expectativa de aumento de consumo seja real, ela pode se concentrar em públicos específicos. Iglesias estima uma possível alta de 5% a 10% nos preços das carnes Angus no período pré-Copa. Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, acredita que o impacto será pontual e não trará mudanças estruturais no mercado de carne bovina.
Consumo sazonal e tendências de mercado
A disponibilidade interna de carne bovina durante a Copa do Mundo segue padrões sazonais, conforme aponta Lygia Pimentel. Em anos de Copa, a oferta de carne não necessariamente diminui. No atacado, a carcaça casada mantém sua sazonalidade, com flutuações típicas nos meses de maio a julho. O consumo registra aumento em grandes jogos, mas sem grande impacto nas médias de mercado a longo prazo.
Fonte: https://globorural.globo.com











