Cuba celebrou um importante apoio da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. Mesmo com o menor número de votos favoráveis em 30 anos, a resolução que condena o embargo foi aprovada, contando com o suporte de países como o Brasil. O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, destacou a vitória diplomática, mesmo sob a pressão do governo de Donald Trump.
Contexto e Relevância do Bloqueio
O bloqueio econômico dos EUA contra Cuba remonta à Revolução Cubana de 1959, quando os EUA impuseram uma série de restrições comerciais em retaliação ao novo governo socialista da ilha. Este embargo tem sido um ponto de tensão nas relações entre os dois países, afetando profundamente a economia cubana e a vida cotidiana de sua população. Para o embaixador Palomo, o bloqueio vai além de uma questão bilateral e representa um desafio global: “Hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outra nação que os EUA desejem pressionar”, afirmou.
Posicionamento Internacional
A votação na ONU revelou uma divisão maior entre os países membros. Enquanto em anos anteriores o apoio ao fim do bloqueio chegava a mais de 190 votos, nesta ocasião, apenas 130 países votaram a favor da resolução. Entre os 17 votos contrários estavam nações como Argentina, Colômbia e Israel, enquanto 25 países se abstiveram, incluindo nações latino-americanas como Chile e Peru, que historicamente apoiavam Cuba.
Impactos Humanitários e Econômicos
O bloqueio tem tido consequências devastadoras para a população cubana. Segundo Victor Manuel Cairo Palomo, as sanções dos EUA resultaram na morte de mais de 1,5 mil crianças em Cuba por falta de medicamentos e combustíveis essenciais para equipamentos médicos. Entre 2025 e 2026, a mortalidade infantil na ilha quase dobrou, refletindo a severidade das restrições econômicas impostas por Washington.
Sanções Secundárias e Repercussões Globais
As chamadas sanções secundárias ampliam o impacto do bloqueio, punindo empresas de outros países que fazem negócios com Cuba. O resultado é a paralisação de mais de 7 mil contêineres de mercadorias cubanas em portos ao redor do mundo, enquanto transportadoras temem represálias dos EUA. Tais medidas aumentam o custo dos produtos na ilha e dificultam ainda mais a vida dos cubanos.
Reação de Cuba e Reformas Econômicas
Diante das crescentes pressões, Cuba iniciou reformas econômicas em um esforço para mitigar os impactos do bloqueio e impulsionar seu desenvolvimento interno. O embaixador Palomo reconheceu que ainda é cedo para avaliar os resultados dessas medidas, mas enfatizou a necessidade de adaptação para enfrentar a contínua asfixia econômica causada pelas sanções dos EUA.
Novas Sanções e Futuro das Relações
Desde a volta de Donald Trump ao poder em 2025, os EUA intensificaram as sanções, incluindo um bloqueio energético que isolou a ilha por meses sem fornecimento de petróleo. A escassez resultante levou a apagões prolongados em Havana e na redução de voos internacionais, afetando gravemente o turismo, setor vital para a economia cubana. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA, sob a liderança de Marco Rubio, anunciou novas sanções contra empresas de tecnologia com vínculos com Cuba, escalando ainda mais as tensões.
Apesar das adversidades, Cuba continua a buscar apoio internacional para encerrar o bloqueio, sublinhando as implicações humanitárias e os princípios de soberania nacional. A resolução da ONU, mesmo com menor apoio, representa para Cuba uma luta contínua por reconhecimento e solidariedade global contra o embargo.











