Neste domingo, 7 de novembro, os olhos do mundo estarão voltados para o Peru, onde 34 milhões de cidadãos irão às urnas para escolher o próximo presidente do país. A disputa está polarizada entre Keiko Fujimori, candidata da direita e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e Roberto Sánchez Palomino, representante da esquerda e ex-ministro do presidente deposto Pedro Castillo.
Um cenário de instabilidade política e econômica
A eleição ocorre em meio a uma prolongada crise política que já resultou na destituição de vários presidentes pelo parlamento peruano. Desde 2011, o Peru teve oito presidentes, e o próximo chefe de Estado será o nono em uma década. A instabilidade tem raízes profundas, que se refletem no atual contexto eleitoral.
A trajetória de Keiko Fujimori
Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no primeiro turno, carrega tanto o legado político de seu pai, Alberto Fujimori, quanto a rejeição associada a seu governo, marcado por violações de direitos humanos. Apesar de liderar o primeiro turno, Keiko já enfrentou derrotas em três eleições presidenciais anteriores, sempre no segundo turno, o que torna o resultado deste domingo incerto.
Roberto Sánchez: uma proposta de mudança
Roberto Sánchez Palomino, por sua vez, é psicólogo e deputado pelo partido Juntos Pelo Peru. Ele conquistou 12,0% dos votos no primeiro turno e se apresenta como uma alternativa de transformação. Sánchez promete uma reforma constitucional para superar o legado do fujimorismo e defende reformas sociais que ampliem direitos, especialmente para populações rurais e indígenas.
Impactos regionais e internacionais
A eleição peruana também tem repercussões além das fronteiras do país, especialmente no contexto das relações internacionais. Keiko Fujimori tem sinalizado um alinhamento com os Estados Unidos, similar às políticas de Donald Trump, o que pode impactar os investimentos chineses no Peru. Por outro lado, Roberto Sánchez é visto como um defensor de uma política mais independente, que busca equilibrar as influências externas.
A batalha entre China e EUA na América Latina
Gustavo Menon, professor da Universidade de São Paulo, observa que a eleição peruana é um capítulo importante na disputa comercial entre China e EUA na América Latina. A postura de Keiko Fujimori contra a influência chinesa, especialmente em projetos como o Porto de Chancay, contrasta com a abordagem de Sánchez, que busca diversificar as alianças do Peru.
A expectativa para o futuro do Peru
Com tantas variáveis em jogo, a eleição deste domingo tem potencial para redefinir o caminho do Peru nos próximos anos. A escolha entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez Palomino não representa apenas uma decisão sobre o futuro imediato do país, mas também sobre seu papel na dinâmica política e econômica da região. O resultado terá implicações significativas para o povo peruano e para suas relações externas, marcando um novo capítulo na história do país.











