A recente decisão do Reino Unido de adotar medidas rigorosas em relação ao uso de antimicrobianos em carnes importadas do Brasil tem gerado preocupações no setor agropecuário. Esta iniciativa segue a tendência da União Europeia, que já impôs restrições semelhantes. A mudança regulatória do Reino Unido, que se afastou do bloco europeu em 2020, reflete um realinhamento em termos sanitários e fitossanitários, afetando diretamente as exportações brasileiras.
Impacto nas exportações brasileiras
O Ministério da Agricultura brasileiro emitiu um comunicado aos auditores fiscais agropecuários, destacando que as mesmas normas aplicadas pela União Europeia serão exigidas pelo Reino Unido. Isso inclui carnes de aves, bovinos e equinos, além de produtos como mel, ovos e pescado. A partir de 3 de setembro de 2026, apenas produtos que cumprirem os requisitos de controle de antimicrobianos poderão ser certificados para exportação.
A não inclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar para a UE, divulgada em 5 de junho, demonstra as dificuldades enfrentadas nas negociações. O Ministério da Agricultura busca reverter a situação, mas a falta de progresso até o momento levanta questões sobre o impacto econômico e comercial para o setor.
Medidas de controle e fiscalização
Para atender às exigências, estabelecimentos brasileiros deverão implementar controles rigorosos e auditáveis. Esses controles visam garantir a rastreabilidade das matérias-primas e a segregação de produtos elegíveis para exportação. A responsabilidade pela implementação recai sobre os estabelecimentos, enquanto o Serviço Oficial verifica sua eficácia.
No caso da carne de aves, por exemplo, é necessário comprovar que os produtos não utilizam antimicrobianos proibidos. Já para a carne bovina, os auditores devem verificar certificados de transição, garantindo a conformidade com o Protocolo de Segregação, além de outros documentos como a Guia de Trânsito Animal (GTA).
Repercussão e desafios futuros
A decisão do Reino Unido gerou reações no Brasil, com representantes do setor agropecuário criticando as restrições como barreiras comerciais injustificáveis, especialmente após o acordo com o Mercosul. O Ministério da Agricultura enfatiza que o Brasil mantém altos padrões sanitários e busca reconhecimento internacional.
Os desafios para os produtores brasileiros são significativos, exigindo adaptações nos processos produtivos e maior controle na utilização de antimicrobianos. A capacidade de atender a essas novas exigências será crucial para manter a competitividade no mercado europeu e britânico.
Conclusão
As restrições impostas pelo Reino Unido e pela União Europeia destacam a crescente preocupação com o uso de antimicrobianos em produtos de origem animal. Esta questão não afeta apenas o comércio, mas também levanta debates sobre saúde pública e segurança alimentar. Para o Brasil, o caminho para superar essas barreiras envolve uma combinação de diplomacia, inovação nos processos de produção e compromisso com padrões internacionais de segurança.
Fonte: https://globorural.globo.com











