A infertilidade, antes vista como um problema apenas conjugal, vem ganhando destaque como uma questão de saúde pública. Esse cenário está diretamente ligado ao aumento das taxas de infertilidade e ao adiamento da decisão de ter filhos, fenômeno observado nos últimos anos. O ginecologista e obstetra Geraldo Caldeira, com mais de quatro décadas de experiência, aborda essa questão com profundidade no programa Olhar da Saúde Cast, destacando a importância de um diagnóstico apurado e tratamentos baseados em evidências científicas.
A influência da idade na fertilidade
Caldeira ressalta que, embora a idade seja um fator crítico para a fertilidade feminina, ela não deve ser vista isoladamente. As mulheres nascem com uma quantidade limitada de óvulos, o que torna sua reserva ovariana finita. Com o passar dos anos, essa reserva vai se esgotando, o que afeta diretamente a capacidade de concepção. Para os homens, a produção de espermatozoides é contínua, mas também pode ser influenciada por outros fatores, como estilo de vida e saúde geral.
Quando buscar ajuda médica
A decisão sobre quando procurar um especialista pode ser crucial para muitos casais. Caldeira orienta que, se a mulher tiver menos de 35 anos, a busca por ajuda médica deve ocorrer após um ano de tentativas sem sucesso. No entanto, se a mulher tiver mais de 35 anos, esse período deve ser reduzido para seis meses, devido ao declínio mais acelerado da fertilidade com o avanço da idade.
Avanços na reprodução assistida
O campo da reprodução assistida tem evoluído significativamente, oferecendo novas esperanças para casais que enfrentam dificuldades para engravidar. Caldeira destaca as inovações na fertilização in vitro, que têm apresentado taxas de sucesso cada vez maiores. Técnicas como o congelamento de embriões, sêmen e óvulos permitem que casais planejem a gravidez com mais flexibilidade e segurança, contribuindo para o aumento das chances de sucesso.
Desmistificando a infertilidade
Além da idade, diversos mitos cercam a infertilidade, o que pode gerar estigmas e desinformação. Caldeira enfatiza a necessidade de desmistificar essas crenças, promovendo um diálogo aberto e baseado em dados entre médicos e pacientes. A infertilidade pode ser causada por uma combinação de fatores, incluindo questões hormonais, genéticas, anatômicas e até ambientais, o que reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento.
Impacto social e cultural
O aumento da infertilidade e o adiamento da maternidade trazem implicações sociais e culturais significativas. Muitas vezes, as mulheres enfrentam pressões sociais para cumprir um papel tradicional, enquanto também buscam estabelecer carreiras profissionais. Essa dualidade pode acrescentar um estresse adicional, afetando também a saúde reprodutiva. Por isso, políticas públicas e iniciativas de saúde precisam considerar esses fatores para oferecer suporte adequado e promover uma sociedade mais informada e compreensiva.
Fonte: https://saude.abril.com.br










