A história de sucesso da Ekilibre Amazônia é um testemunho da visão empreendedora e da valorização da biodiversidade brasileira. Liderada pelo advogado Kairós Kanavarro, de 42 anos, e pela farmacêutica Zezé Freitas, de 67, esta dupla de mãe e filho transformou uma jornada de autoconhecimento em um negócio próspero no setor de cosméticos naturais. Com a Amazônia como berço de sua produção e inspiração, a empresa projeta um faturamento robusto, alcançando R$ 1,8 milhão em 2024, R$ 2,1 milhões em 2025 e uma ambiciosa meta de R$ 3 milhões para 2026. Este crescimento é impulsionado pela expansão estratégica tanto no mercado B2C quanto no B2B, culminando nos planos para a abertura de uma nova fábrica em Manaus, solidificando ainda mais sua presença na região.
A gênese de um sonho: da advocacia à biodiversidade amazônica
A semente da Ekilibre Amazônia foi plantada muito antes de sua formalização. Em 2008, Kairós Kanavarro, então um jovem advogado atuante em São Paulo, embarcou em uma viagem transformadora pela América Latina. O que inicialmente seria uma aventura de dois meses estendeu-se por três anos e meio, levando-o por 14 países até 2011. Durante esse período imersivo, Kanavarro teve contato direto e profundo com comunidades indígenas, ribeirinhas e outros grupos tradicionais. Esta experiência revelou-lhe um mundo de conhecimentos ancestrais sobre plantas, seus usos medicinais e cosméticos, e uma profunda conexão com a natureza que contrastava drasticamente com sua rotina anterior.
Ao retornar ao Brasil, a advocacia já não ressoava com seus novos propósitos. “Eu queria trabalhar com plantas e também com algo que fosse impossível de ser ignorado”, recorda Kairós. Essa reflexão o levou ao setor de cosméticos. A lógica era simples, mas poderosa: produtos de uso diário, presentes na rotina da maioria das pessoas, ofereciam a plataforma ideal para introduzir os poderosos ativos naturais que ele havia descoberto. A ideia era criar algo que não só beneficiasse o consumidor, mas que também carregasse uma mensagem de respeito e valorização da natureza, em especial da exuberante Amazônia.
A sinergia familiar: Zezé Freitas entra em cena
O reencontro com a família marcou o início de uma nova fase, não sem desafios. Kairós conta que foi um momento delicado ao comunicar à sua mãe, Zezé Freitas, sua decisão de abandonar a carreira jurídica. No entanto, sua paixão era palpável. Morando novamente com a mãe, ele começou a experimentar, produzindo cosméticos de forma artesanal. As plantas, antes vistas apenas como parte da paisagem, tornaram-se matérias-primas valiosas, coletadas no quintal de casa, em áreas urbanas e em lojas de ervas. Os primeiros produtos incluíam cremes faciais, cremes dentais sem flúor e desodorantes sem alumínio – formulações que, na época, eram raras e pouco exploradas no mercado brasileiro, demonstrando o pioneirismo da visão de Kairós.
Zezé, que há anos utilizava produtos tradicionais para cuidados com a pele e manchas, tornou-se a primeira e mais importante testadora das criações do filho. Sua experiência e feedback foram cruciais para o aprimoramento das fórmulas. “Eu parei de usar os produtos tradicionais e comecei a usar os da Ekilibre”, afirma ela, evidenciando a eficácia e a qualidade percebida nos produtos artesanais. Esse envolvimento orgânico e a confiança nos resultados foram o catalisador para que Zezé, com sua vasta experiência como farmacêutica, se tornasse não apenas uma entusiasta, mas uma sócia e cofundadora ativa do negócio, unindo o conhecimento acadêmico à paixão do filho.
Enraizando na floresta: o nascimento da Ekilibre em Alter do Chão
Com a validação dos produtos artesanais, Kairós tomou uma decisão ousada e fundamental para a identidade da marca: mudou-se para a Amazônia, escolhendo Alter do Chão, no Pará, como sua nova base. Lá, a produção de sabonetes e desodorantes em pequena escala floresceu, e a venda acontecia de forma direta, em praças e feiras locais. A resposta do público era imediata e entusiástica. “Eu colocava os sabonetes numa cesta de palha e vendia na praça. Em 20 ou 30 minutos, vendia tudo”, relata Kanavarro, evidenciando a forte demanda por produtos naturais e a autenticidade de sua abordagem.
A percepção dessa demanda crescente gerou a ideia de abrir uma loja física, mas para isso era necessário capital. Foi nesse momento que Kairós demonstrou seu espírito empreendedor e criatividade, desenvolvendo um negócio paralelo inovador: a produção de caipirinhas com frutas amazônicas. Ele coletava frutas na região, criava combinações únicas com ervas e pimentas, e propôs a um organizador de festas uma parceria com divisão de lucros. O sucesso foi estrondoso, com as vendas de bebidas aumentando exponencialmente e o modelo sendo replicado em outros eventos. Em cerca de um ano, o capital gerado por essa iniciativa permitiu a abertura da primeira loja da Ekilibre Amazônia em Alter do Chão (PA), em 2012, com um investimento inicial modesto de R$ 10 mil para matéria-prima, embalagens e utensílios básicos, marcando um começo pequeno, mas repleto de propósito.
Crescimento estruturado e a força da colaboração
Embora a loja física da Ekilibre Amazônia estivesse em operação desde 2012, a formalização completa do negócio ocorreu de forma gradual. O registro do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) foi estabelecido apenas em 2016, um marco que os fundadores consideram o verdadeiro início da fase mais estruturada e ambiciosa da empresa. Essa formalização permitiu não apenas a ampliação das operações, mas também o acesso a mercados maiores e a construção de parcerias estratégicas, essenciais para o crescimento de qualquer negócio.
Nesse período crucial de estruturação, a participação de Zezé Freitas tornou-se ainda mais direta e intensa. Sua experiência como farmacêutica foi fundamental para as decisões técnicas e regulatórias, garantindo que os produtos da Ekilibre não apenas fossem naturais, mas também seguros e em conformidade com as exigências do setor. Paralelamente, Kairós Kanavarro utilizou seu background jurídico para auxiliar em questões fiscais e na formulação de estratégias de expansão e negociação. A sinergia de suas habilidades foi decisiva, especialmente na consolidação da marca em São Paulo, que hoje representa o principal mercado consumidor da empresa, demonstrando a importância de uma gestão multidisciplinar e complementar.
Canais de distribuição e o modelo de receita multifacetado
Atualmente, a Ekilibre Amazônia adota um modelo de negócios diversificado, equilibrando a receita entre os canais B2C (Business-to-Consumer) e B2B (Business-to-Business). A maior parte do faturamento, aproximadamente 55% a 60%, provém do B2C, que abrange o e-commerce próprio da marca, a presença em marketplaces consolidados como Amazon, Mercado Livre e Beleza na Web, e um crescente canal de revendedoras. Recentemente, a empresa também iniciou sua incursão no TikTok Shop, buscando novas audiências e formas de engajamento. Os sócios destacam que o crescimento mais expressivo nesse segmento tem sido observado nas plataformas Amazon e Mercado Livre, indicando a força do varejo online.
Os restantes 40% da receita são gerados pelo canal B2B, que inclui serviços de terceirização de produção e a criação de marcas próprias para outras empresas. Essa vertente demonstra a expertise técnica e a capacidade produtiva da Ekilibre, transformando-a em uma parceira estratégica no mercado de cosméticos naturais. O canal de revendedoras, conhecido como Clube Ekilibre, é uma rede vital que conta com cerca de 30 revendedoras ativas que realizam compras recorrentes a cada dois meses. No total, o clube engloba entre 80 e 100 participantes, incluindo profissionais da área de saúde e bem-estar, como terapeutas naturais e esteticistas, que realizam compras mais esporádicas, mas igualmente importantes para a capilaridade da marca. Os tíquetes médios variam consideravelmente, refletindo a diversidade dos canais: cerca de R$ 170 no B2C online, R$ 500 no B2B2C para revendedoras e aproximadamente R$ 20 mil nos contratos B2B de maior porte, sublinhando a robustez e adaptabilidade do modelo de negócios da empresa.
A valorização da Amazônia e o futuro da Ekilibre
O sucesso da Ekilibre Amazônia não se limita aos números financeiros; ele reflete um movimento global de valorização dos produtos naturais, da sustentabilidade e, em particular, da riqueza da biodiversidade amazônica. A aposta da empresa em ativos extraídos da floresta, como ingredientes para protetores solares e séruns que promovem a saúde e beleza da pele, alinha-se perfeitamente com a crescente demanda por cosméticos mais conscientes e eficazes. Esse posicionamento não só eleva a percepção de valor dos produtos, mas também fortalece a cadeia produtiva local, fomentando o desenvolvimento sustentável e a economia da Amazônia, ao mesmo tempo em que oferece ao consumidor final produtos de alta qualidade com um propósito maior.
Com a projeção de alcançar R$ 3 milhões em faturamento até 2026, a Ekilibre Amazônia está em uma trajetória de expansão ambiciosa. A construção de uma nova fábrica em Manaus é um passo estratégico crucial para ampliar a capacidade produtiva, otimizar a logística e consolidar a empresa como um player relevante no mercado nacional de cosméticos naturais. Esse movimento representa não apenas um crescimento empresarial, mas também um compromisso contínuo com a região que a inspira e provê seus recursos mais valiosos. A história de Kairós e Zezé é um exemplo inspirador de como o empreendedorismo pode ser um veículo para a inovação, a sustentabilidade e a valorização de um dos maiores patrimônios naturais do Brasil.
A jornada da Ekilibre Amazônia é um fascinante estudo de caso sobre como paixão, resiliência e a valorização de recursos naturais podem se transformar em um empreendimento de sucesso. Para continuar acompanhando histórias inspiradoras de empreendedorismo, inovação e o desenvolvimento econômico do Tocantins e do Brasil, mantenha-se conectado às atualizações e análises profundas do Notícias do Tocantins. Explore nosso portal para mais artigos que desvendam o potencial e os desafios de nossa região.











