O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com pouca movimentação e cotações em queda, refletindo um panorama de negociações limitadas e menor disponibilidade de gado. Essa situação tem dificultado a progressão das escalas de abate em várias regiões do Brasil, conforme apontado pela consultoria Safras & Mercado. A retração no volume de negócios ocorre em meio ao esgotamento antecipado das cotas de exportação de carne bovina para a China, principal destino do produto brasileiro.
Impactos da redução das exportações para a China
Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que a ausência temporária da China como um grande comprador exige das indústrias uma reavaliação na estratégia de aquisição de boiadas. Com a menor demanda externa, as empresas vêm reduzindo a capacidade de abate, o que afeta diretamente o mercado interno e a cadeia produtiva. Esse cenário força os produtores a buscar alternativas para escoar sua produção, enquanto lidam com a pressão sobre os preços internos.
Cotações e competitividade no mercado interno
Nesta sexta-feira, o indicador Cepea/Esalq para o boi gordo, baseado nos negócios realizados no Estado de São Paulo, registrou a cotação de R$ 326,65 por arroba. Apesar de uma leve alta de 0,60% na comparação diária, houve uma queda acumulada de 0,97% ao longo da semana, e de 2,90% no acumulado de julho. No mercado atacadista, os preços da carne também apresentaram queda, segundo informações da Safras & Mercado, o que sugere um menor suporte aos valores no restante do mês.
Concorrência com outras proteínas
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a competitividade da carne bovina tem sido afetada em comparação com as carnes suína e de frango, que se mostram mais atraentes para o consumidor. Na parcial de julho, o preço de um quilo de carcaça casada de boi no atacado paulista equivalia a 3,5 quilos de frango resfriado, uma relação desfavorável quando comparada ao ano anterior, que era de 2,9 quilos de frango por quilo de carne bovina. A carne suína também ganhou competitividade, com a relação de troca aumentando de 1,7 quilo para 2,8 quilos de suíno por quilo de bovino.
Repercussões e possíveis desdobramentos
A redução nas cotas de exportação para a China e a consequente queda nas cotações do boi gordo têm gerado preocupações entre pecuaristas e indústrias do setor. A necessidade de ajustar estratégias de mercado pode levar a uma reestruturação na cadeia produtiva, com impacto na economia regional e nacional. Além disso, a pressão sobre os preços internos pode afetar o poder de compra dos consumidores, levando-os a optar por proteínas mais baratas, como frango e suíno. A situação exige atenção das autoridades e do setor privado para mitigar os efeitos negativos e buscar novas oportunidades de mercado.
Fonte: https://globorural.globo.com











