O Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) iniciou uma investigação sobre o furto e a venda ilegal de armas que estavam sob a custódia do 7º Núcleo Regional de Perícia Criminal em Gurupi. O inquérito tem como foco identificar a participação de outros funcionários públicos no crime, além de avaliar o prejuízo financeiro causado ao Estado.
A investigação ocorre após a condenação do ex-servidor João Victor Gomes Holanda, que confessou ter retirado entre 15 e 16 armas do depósito para vendê-las por valores entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil cada. A decisão foi publicada no Diário Oficial do MPTO.
O MPTO também busca apurar possíveis atos de improbidade administrativa e as falhas nos mecanismos de controle que permitiram o desvio dos armamentos. A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) afirmou que ainda não foi notificada oficialmente sobre o inquérito, mas se comprometeu a colaborar integralmente com a investigação.
Condições do local e falhas de segurança
Relatórios da Superintendência da Polícia Científica anexados ao processo indicam que o núcleo pericial funcionava em um prédio alugado sem condições básicas de segurança entre janeiro e julho de 2025. O imóvel não possuía câmeras de monitoramento, detector de metais nem controle de acesso de pessoas. Testemunhas relataram que o réu tinha acesso livre à sala de armas, às chaves do prédio e às senhas do sistema informatizado.
Solicitações e prazo para resposta
A 2ª Promotoria de Justiça de Gurupi estabeleceu um prazo de 15 dias para que os órgãos estaduais respondam a uma série de solicitações de informações. A Polícia Científica deve esclarecer divergências nos registros e fornecer a relação completa das armas furtadas. A Secretaria da Administração deve apresentar detalhes sobre o vínculo funcional do ex-servidor, enquanto a Corregedoria-Geral da Segurança Pública foi notificada a informar sobre o andamento do Processo Administrativo Disciplinar aberto contra João Victor.
Condenação na esfera criminal
O desvio das armas foi descoberto em abril de 2025, e em fevereiro de 2026, João Victor foi condenado pela 2ª Vara Criminal de Gurupi pelos crimes de peculato-furto e comércio ilegal de armas de fogo. A sentença tornou-se definitiva em março do mesmo ano, após o esgotamento das possibilidades de recurso. Até o momento, nenhuma das armas furtadas foi recuperada pela polícia.
Fonte: https://g1.globo.com











