O Ministério da Agricultura do Brasil anunciou, em uma reunião virtual realizada nesta sexta-feira (26/6), que implementará um novo modelo de controle de ciclo completo de vida dos animais destinados à exportação de carnes para a União Europeia. Esta medida, que entra em vigor a partir de 1º de julho, visa atender a uma exigência europeia de garantir que as carnes estejam livres de antimicrobianos, substâncias proibidas pelo bloco.
Impacto nas exportações de carne de aves
O novo modelo de controle é visto como uma oportunidade para viabilizar a retomada das exportações de carne de aves do Brasil para a Europa. O ciclo de vida curto das aves, que varia de 30 a 40 dias, permite um monitoramento rápido e eficaz, atendendo às exigências impostas pela União Europeia. Em 2025, o Brasil exportou 230,3 mil toneladas de carne de aves para o bloco, gerando uma receita de US$ 762,9 milhões.
Desafios para a exportação de carne bovina
A decisão do Ministério, no entanto, gerou insatisfação entre os exportadores de carne bovina. O modelo de controle proposto não abrange o setor bovino, o que pode resultar em uma suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a Europa por até dois anos. Segundo uma fonte envolvida nas negociações, o ministério ainda não apresentou uma solução viável para o setor bovino, o que representa um grande desafio para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Propostas e reações
O setor de carne bovina defende a implementação de um prazo de transição, permitindo a exportação de carne de animais com rastreabilidade e garantia de não uso de antimicrobianos nos últimos nove meses de vida. No entanto, essa proposta foi rejeitada pela União Europeia. O Ministério da Agricultura ainda não respondeu às solicitações de comentários sobre essa questão.
Contexto e repercussão
As negociações entre o Brasil e a União Europeia foram intensificadas após o anúncio do bloco europeu de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para a Europa a partir de setembro. Representantes do Ministério da Agricultura viajaram para a Europa na tentativa de resolver o impasse, mas enfrentaram resistência por parte das autoridades sanitárias europeias. A desconfiança na capacidade de fiscalização das autoridades brasileiras foi um dos pontos críticos levantados pelos europeus.
Ação política e possíveis desdobramentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já discutiu o tema com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em busca de um entendimento político. No entanto, essa articulação ainda não produziu resultados concretos. Setores insatisfeitos têm pressionado por uma ação mais firme do governo brasileiro, incluindo a possibilidade de aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica contra produtos europeus. Há também menções a direitos humanos e legislações ambientais como possíveis pontos de pressão.
O modelo de controle anunciado pelo Ministério da Agricultura deverá ser aplicado a partir de julho, com a expectativa de que os resultados sejam apresentados à União Europeia antes de setembro. A expectativa é que, pelo menos para as exportações de aves, os resultados sejam obtidos em tempo hábil para evitar um bloqueio previsto para 2026.
Fonte: https://globorural.globo.com











