Pecuaristas de várias regiões do Brasil manifestaram-se contrários à incorporação das exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na legislação nacional. Entidades representativas do setor divulgaram uma nota conjunta alertando para os riscos que tais restrições podem representar à produção animal no país.
A tensão entre regulamentação e produção
As entidades afirmam ser inaceitável que demandas comerciais de um mercado específico definam obrigações para toda a pecuária brasileira. Elas defendem o uso responsável de antimicrobianos, fundamentado em critérios científicos e técnicos, e destacam que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos do mundo, assegurando o uso seguro desses produtos.
O uso de medicamentos antimicrobianos, segundo as entidades, é reconhecido pelo Codex Alimentarius e pela Organização Mundial do Comércio (OMC), e, quando utilizado de forma responsável, contribui para a saúde e o bem-estar animal, além de melhorar a eficiência alimentar e o desempenho dos rebanhos.
Implicações econômicas e ambientais
Os pecuaristas alertam que restringir tecnologias reconhecidas internacionalmente sem respaldo científico pode comprometer a competitividade do setor e reduzir sua eficiência ambiental. A discussão sobre o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira ganhou força após a União Europeia retirar o Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal, citando falhas no controle dessas substâncias.
Reações e negociações em curso
A decisão europeia, que entra em vigor no dia 3 de setembro, levou o governo brasileiro a enviar um protocolo do setor privado, homologado pelo Ministério da Agricultura, que prevê o acompanhamento dos animais do nascimento ao abate. No entanto, o bloco europeu rejeitou a proposta, gerando um impasse.
Desde então, indústria, pecuaristas e governo têm debatido regulamentações e o cumprimento das exigências da União Europeia. Sob críticas, o Ministério da Agricultura alegou que o setor privado deveria ter adotado formas de segregar a produção.
Posicionamento da indústria
Representantes da indústria, como Joesley Batista, da JBS, e Gilberto Tomazoni, CEO global da empresa, solicitaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ampliação do número de medicamentos antimicrobianos proibidos no país. Este pedido foi feito antes mesmo das entidades representativas da indústria, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), formalizarem uma solicitação semelhante.
Reunião decisiva e estratégias futuras
Uma reunião na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) discutiu estratégias, incluindo a possibilidade de segregar a produção para atender exclusivamente à União Europeia ou de banir antimicrobianos no Brasil. Enquanto frigoríficos consideram aumentar o nível de proibição, pecuaristas alertam para os riscos associados.
Na nota divulgada, os pecuaristas argumentam que exigências devem ser restritas a quem fornece para o bloco europeu. Eles defendem que o Brasil deve continuar expandindo sua presença no mercado internacional, mas sem que exigências externas influenciem políticas nacionais de forma indiscriminada.
Assinaturas de peso
A nota foi assinada por diversas entidades, incluindo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e outras, reforçando o peso e a representatividade do documento no cenário nacional.
Fonte: https://globorural.globo.com











