O mercado do boi gordo iniciou a semana com preços estáveis, conforme aponta a consultoria Safras & Mercado. Contudo, em algumas regiões, especialmente em Goiás e Minas Gerais, foram observadas tentativas de compra a preços menores. Esta pressão por redução nos valores é reflexo direto das condições adversas das pastagens, agravadas pelo estresse hídrico enfrentado nesses estados.
Impacto das condições climáticas
Nos estados do Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia, a situação se apresenta de forma diferente. As chuvas regulares durante o mês de abril contribuíram para manter as pastagens em bom estado, proporcionando aos pecuaristas uma maior capacidade de retenção do gado. Esta condição climática favorável sugere que a pressão para redução de preços pode ser menos intensa nessas regiões, ao menos até a segunda quinzena de maio, segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado.
Influência do mercado internacional
Outro fator relevante para o mercado do boi gordo é a cota de exportação para a China. Iglesias destaca que a progressão dessa cota deve alcançar seu limite em meados de junho, o que poderá influenciar o mercado interno, dependendo do comportamento das exportações até lá. Na prática, a dinâmica de exportação é um componente chave para entender a estabilidade dos preços, pois um esgotamento da cota poderá pressionar o mercado interno.
Dados do mercado e repercussões
De acordo com a Scot Consultoria, das 33 regiões monitoradas, 26 mantiveram os preços do boi gordo inalterados nesta segunda-feira (27/4). No entanto, algumas regiões, como o Triângulo Mineiro e Belo Horizonte, em Minas Gerais, além de Goiânia e sul de Goiás, registraram quedas nos valores. Em São Paulo, nas praças de Araçatuba e Barretos, o preço permaneceu estável em R$ 363 por arroba para pagamento a prazo, enquanto a cotação do ‘boi China’ caiu R$ 3, fixando-se em R$ 365 por arroba.
Desempenho das exportações
As exportações de carne bovina continuam em ritmo crescente, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Até a metade de abril, o volume médio diário de carne in natura exportada superou 13 mil toneladas, demonstrando um mercado externo aquecido e com demanda robusta. Este cenário de exportações vigorosas tem sido crucial para a sustentação dos preços do boi gordo no mercado interno, apesar das pressões climáticas.
Perspectivas para o setor
A interação entre condições climáticas, mercado internacional e dinâmica de exportação continua a ser determinante para o comportamento dos preços do boi gordo. Pecuaristas e analistas permanecem atentos às variações climáticas e ao mercado chinês, elementos que poderão influenciar decisivamente o setor nas próximas semanas. Com a entrada da segunda quinzena de maio, a expectativa é que mais definições sobre o mercado possam surgir, especialmente considerando o esgotamento da cota chinesa no horizonte.
Fonte: https://globorural.globo.com











