Os valores da soja no Brasil continuam a subir, refletindo uma combinação de fatores que inclui a alta demanda, a valorização do dólar e as cotações em ascensão na bolsa de Chicago. Nesta quinta-feira, 20 de agosto, o indicador Cepea/Esalq para o porto de Paranaguá (PR) registrou um aumento de 1,97%, alcançando R$ 154,63 por saca, estabelecendo um novo recorde anual pelo quarto dia consecutivo.
Demanda chinesa impulsiona o mercado
Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria Agroeconômica, explica que a recente alta nos preços é fortemente influenciada pela retomada das compras de soja brasileira pela China. ‘Isso cria um alerta nas indústrias, que se veem obrigadas a garantir seu estoque para não ficarem desabastecidas’, afirma Pacheco. A demanda chinesa, um dos principais motores do agronegócio brasileiro, aumenta a pressão sobre os preços internos e fortalece o mercado.
Influência das cotações em Chicago
Além da demanda chinesa, as cotações no mercado de Chicago também têm favorecido o aumento dos preços da soja no Brasil. Mesmo com uma leve queda de 0,06% na última sessão, os valores ainda se mantêm acima dos US$ 12,36 por bushel, o que contribui para um cenário positivo para os produtores brasileiros. Esse contexto internacional, aliado à desvalorização do real frente ao dólar, torna a soja brasileira ainda mais competitiva no mercado global.
Variações de preços em outras regiões
As altas nos preços não se limitam ao Paraná. Em Ponta Grossa (PR), a soja registrou um aumento de R$ 2 em comparação ao dia anterior, chegando a R$ 149 por saca. Em Primavera do Leste (MT), a valorização foi de R$ 1, com a saca cotada a R$ 133. Já em Luís Eduardo Magalhães (BA), houve um incremento de R$ 1, com o preço da saca subindo para R$ 138,50. Esses aumentos refletem a tendência nacional de valorização do grão.
Impactos e perspectivas para o setor
O cenário atual coloca os produtores em uma posição vantajosa, mas também levanta preocupações sobre a rentabilidade das indústrias que dependem da soja como matéria-prima. As altas nos custos podem ser repassadas ao consumidor final, impactando a cadeia de produtos derivados. A continuidade desse cenário dependerá de fatores como a manutenção da demanda externa, as condições climáticas nas regiões produtoras e as flutuações cambiais. Observadores do setor estarão atentos aos próximos movimentos do mercado para ajustar suas estratégias de compra e venda.
Fonte: https://globorural.globo.com












