Tiago Cavalcanti, economista brasileiro e professor na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, enfatiza a importância de um ajuste fiscal gradual no Brasil, alertando contra a adoção de medidas precipitadas que possam comprometer a estabilidade econômica. Ele critica a proposta de redução rápida da taxa de juros apresentada por André Lara Resende e defende que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote ações críveis para equilibrar as contas públicas ao longo do tempo.
Ajuste fiscal e promessas de campanha
Cavalcanti considera que controlar os gastos públicos não é incompatível com a manutenção de programas sociais, compromisso assumido por Lula. No entanto, ele sugere que o governo reveja a política de reajustes do salário mínimo acima da inflação, mantendo apenas a reposição inflacionária enquanto as contas públicas não estiverem equilibradas. O economista destaca que o salário mínimo é base para diversas despesas, incluindo aposentadorias e pensões, que representam uma parte significativa dos gastos primários da União.
Crítica à proposta de André Lara Resende
A proposta de André Lara Resende de reduzir rapidamente a taxa Selic, levando-a a 7,5% ao ano em um período de 12 meses, é vista com ceticismo por Cavalcanti. Ele compara a ideia às políticas adotadas pela Turquia sob pressão do presidente Erdogan, que resultaram em hiperinflação. Cavalcanti argumenta que não há evidências empíricas suficientes para sustentar uma redução tão abrupta dos juros, e alerta para os riscos de se tentar atalhos na gestão econômica.
Expectativas e desafios econômicos
O economista ressalta a importância de ancorar as expectativas do mercado para evitar desvalorização cambial e aumento da inflação. Ele defende que o governo precisa anunciar rapidamente uma equipe econômica comprometida com a estabilidade fiscal, além de definir metas críveis de longo prazo para a dívida pública. Cavalcanti afirma que medidas práticas são necessárias para restabelecer a confiança dos investidores e garantir a solidez macroeconômica.
Perspectivas para o governo Lula
Cavalcanti vê semelhanças entre o cenário atual e o início do primeiro mandato de Lula em 2003, quando compromissos macroeconômicos ajudaram a estabilizar as expectativas. Ele acredita que um ajuste fiscal suave, com metas claras e sustentáveis, poderia trazer a dívida pública para uma trajetória mais segura, sem comprometer os avanços sociais prometidos pelo governo.
Fonte: https://g1.globo.com












